Considerações da Patrícia sobre Jogos Vorazes - Suzanne Collins

By | segunda-feira, março 19, 2012 4 comments

Esse é um post para agradecer a quem me disse "cala a boca e vai ler Jogos Vorazes": Onã, Lygia... o Trinta também. Provavelmente foram vocês três.


Eu não estava esperando adorar tanto essa série de livros, minhas expectativas eram baixas e foi lindo observar como todos os conceitos pré-estabelecidos que eu tinha sobre uma possível história superestimada foram por água abaixo depois de ler provavelmente quinze linhas. O livro flui e você não precisa se forçar a ler, a história demanda sua atenção.

Eu não saberia dizer se você gostou ou se irá gostar, eu só sei dizer que eu gostei – e eu sei exatamente o porquê:

Desde o começo ficou claro que Jogos Vorazes possui uma combinação de coisas que particularmente me interessam muito. Eu sempre gostei de histórias distópicas (lugares com sistemas opostos ao que deveria ser considerado ideal, a antítese da utopia), sempre gostei de personagens que tentam sobreviver em governos opressivos e totalitários, em tempos de repressão ou pré/pós apocalíptico (Vai entender). 1984 é um dos meus livros preferidos, bem como é o seriado Caprica - o spin off de Battlestar Galactica onde existem as Doze Colônias de Kobol.

Provavelmente seja um gosto que se formou porque eu não acho que o mundo onde a gente viva agora esteja muito longe de uma distopia. Eu a observo em situações que eu considero absurdas sendo vistas como normais pelas pessoas e governos, e não é difícil imaginar de onde Suzanne Collins tirou a ideia de criar os Jogos Vorazes, que é uma hipérbole de uma situação claramente absurda que porém é tratada com normalidade (até mesmo como uma honra) simplesmente porque foi imposta por um governo que a considera razoável visando seus próprios interesses. As pessoas então ficam anestesiadas e se entretêm com uma situação que, essencialmente, deveria deixá-las horrorizadas.

Outra característica do livro é a forma como ele é narrado e a forma como ele descreve. Eu gosto de ler descrições detalhadas de coisas que a maioria das pessoas considera dispensável - como o que os personagens estão comendo, descrição de cheiros, barulhos (e haja barulho de graveto em Jogos Vorazes!) bem como descrição de texturas de tecidos de roupas, cores e barulho de água de riacho e afins. Eu gosto de personagens femininas que se preocupam com coisas como solucionar crimes, resolver puzzles e a auto preservação/sobrevivência.

Acima de tudo, eu gosto de livros que você diz "É isso por hoje", fecha e simplesmente abre de novo porque você realmente quer voltar pra aquele mundo.

Não tinha como eu não gostar desse livro.

Outra coisa que vale mencionar sobre Jogos Vorazes é que ele é narrado pela personagem principal, uma garota que – por falta de uma expressão melhor eu irei usar essa – chuta bundas. O livro transborda de Katniss atirando com o arco e flecha, Katniss subindo em árvores, acampando, se machucando e engolindo choro like a boss, curando ferimentos, caçando, desarmando armadilhas... enquanto isso o Peeta, um dos personagens centrais masculino, é gentil, bom coração, tem o dom da oratória e é realmente bom em decorar bolos. 
Dá pra dizer que o livro foi escrito por alguém cuja mente vive no século 21 e não se prende no mundo limitado dos estereótipos de gênero.

A forma como o livro lida com cliffhangers é particularmente excepcional: No momento que algo grande acontece e você pensa que esse poderia ser o grande acontecimento do livro, algo extremamente maior a inesperado acontece algumas páginas depois. A história se revela de uma forma bem elaborada e bem planejada, e o segundo livro mantém – ou até supera – a ótima história do primeiro. 

Jogos Vorazes pode por vezes parecer um livro para jovens com uma história que provavelmente irá virar um filme blockbuster de gosto talvez (Ou não?) questionável, mas não se engane. Ele é um daqueles livros que possui camadas, e é bem sucedido em todas elas, podendo ser visto apenas como uma boa – e inteligente - história para jovens, mas que também pode ser interpretado de formas mais profundas e certamente há material pra fazer você pensar por muito tempo, sobre muitas coisas.


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4 comentários:

  1. E eu não sei como ainda tem gente que só leva em consideração o romance que existe em Jogos Vorazes. Este livro é bem mais do que uma história de amor. Mas vai entender a sociedade de hoje, né?
    Ótimo texto!
    Beijão

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  2. Obrigada!! Eu concordo, eu acho que a ideia de vender Jogos Vorazes como um romance limitou a leitura do livro a certos grupos de pessoas. Certamente há romance e é uma parte importante, mas o livro não é apenas sobre isso.
    E talvez seja porque eu sou meio lerda, mas eu demorei um pouco até perceber que havia interesse romântico entre dois personagens no livro até pelo menos a metade (Eu precisei receber umas dicas histéricas do Trinta), eu estava mesmo era interessada em outras partes do livro.
    Acho que é um caso de livro que o que as pessoas levam em consideração difere de acordo com o gosto pessoal de quem lê.
    Obrigada pelo comentário!! =D

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  3. Adoro livros que combinam ação, aventura e suspense com o cotidiano do ser humano, como romance e dramas. Fazem parecer que é muito real e que possa acontecer um dia, como histórias de ficção cientifica. Você se sente dentro desse mundo mesmo e não quer sair mais xD

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    1. Obrigada broto!!! Me lembre de te emprestar 1984, eu to pra te emprestar esse livro faz tempo. Eu queria também que a gente lesse esses livros: http://www.submarino.com.br/produto/1/21805468/trilogia+da+fundacao+%28box%29 Talvez eu compre eles esse ano e se eu comprar eu te empresto =D

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