Sobre amor e morte - Paralela Mente, por Natan

By | domingo, junho 10, 2012 3 comments


Boa noite, gente bonita.

Cês ‘tão bem? Olha, espero que estejam melhores do que eu, porque minha semana não foi lá muito boa. Notícias inesperadas, desagradáveis, muita gente feia no ônibus (cof, cof), muita coisa pra fazer, coisas pra esquentar a cabeça, vixe, uma loucura. Mas hoje é domingo, não é? Pois é. Doravante (adoro essa palavra) o Paralela Mente vai ~ao ar~ todos os domingos, para a nossa alegria de todo mundo!

Muito bem. No post de hoje eu resolvi falar sobre um tema polêmico. Mentira, nem é polêmico, mas estou usando esse termo porque o assunto a ser tratado hoje já me gerou uma boa discussão com o meu digníssimo namorado.



Romance + morte, esse cálculo que, pelo visto, vem dando certo há muito tempo. Mas, antes de começar o post, quero deixar dito que estamos admitindo aqui o termo “romance” no senso comum: história de amor, e não o gênero romance, certo? Certo. Também não estou direcionando este post a nenhum público específico: nem adolescentes, nem adultos, nem homens nem mulheres: é geral.

No meu post de apresentação, comentei que detesto essa mania de fazerem todos os romances gays terminarem em tragédia. De uns tempos pra cá, parei pra pensar e cheguei à conclusão de que não são só os romances gays: os romances hetero também! Daí parei pra refletir sobre isso. Por que é que as pessoas são tão fascinadas, ou, por que as histórias de amor têm que terminar em tragédia pra serem bonitas? Onde foi parar aquele antigo interesse pelos romances com final feliz? Por que só os romances a lá Nicholas Sparks são bonitos e tocantes? Tenho cá minhas dúvidas.

Meu digníssimo disse que às vezes é necessário que haja essa perda da pessoa amada pra que a outra dê valor ou alguma coisa nesse sentido e foi aí que discutimos. Eu não penso assim. No filme que vimos, cujo nome não hei de falar pra não dar spoilers, a personagem que vive passa boa parte da história sendo babaca, e a personagem que morre... Bem, não era babaca. A meu ver, dentro de um relacionamento, a pessoa que precisa perder a outra pra perceber que estava fazendo cagada atrás de cagada é babaca. Suponhamos que esse relacionamento acabe. Pronto, acabou. O(a) a babaca percebe que errou e vai no Te Quero de Volta, daquele programa do Rodrigo Faro, pra tentar resgatar o tempo/amor perdido. Aí a pessoa amada dá uma segunda chance e as coisas ficam bem novamente. Funciona, não funciona? Sim, funciona! Mas por que não vemos isso no cinema ou na literatura? Percebam que a crise de consciência nunca vem por um motivo que não seja a morte.

Parem pra pensar. Façam uma listinha aí na cabeça de vocês: 5 romances memoráveis com morte no final e 5 romances memoráveis sem morte no final. 30 segundos pra cada. VALENDO!

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E aí?

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Tá acabando.

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Aposto que os com morte no final vieram fácil. E os sem morte no final? Demorou, não é? Agora eu pergunto: qual desses que você considera mais bonito? O com morte no final, não é? É. Pois é.

Talvez seja por isso que eu gosto tanto das comédias românticas. Alguém já viu comédia romântica com final triste, ou em que o casal não fique junto no final? Ok, é previsível, todo mundo sabe que no final vai dar tudo certo, mas, ainda assim, existe todo um desenvolvimento da trama. O desenvolvimento da história é também o desenvolvimento do sentimento dos personagens envolvidos. Se a função do romance trágico (gosto de chamar assim) é mostrar o quão profundo é o amor que existe entre os personagens (tão profundo que, às vezes, não dá nem pra saber de onde ou por que surgiu tanto sentimento), a (boa) comédia romântica consegue fazer isso tão eficientemente quanto, ou ainda melhor, arrisco dizer.

“Mas na vida nem tudo tem um final feliz!”

Literatura/cinema não é vida e eu não estou falando de final feliz, estou falando de morte. Agora, neste exato momento, só consigo me lembrar de UM romance (que, aliás, é uma quase comédia romântica) em que o casal não fica junto no final e ninguém morre. O motivo do término do relacionamento em questão é incompatibilidade de gênios, o que também não é nenhuma novidade dentro desse âmbito, mas nenhum dos dois precisou morrer pra que houvesse aquela sensação de “oh, meu Deus, fiz tanta cagada que Fulano agora não me pertence mais!”.  

“Ah, mas e a catarse?”

Foda-se a catarse, ora, quem disse que eu quero uma? Se for pra assistir algo que me faça sentir que o final de um amor é a morte, prefiro assistir... sei lá. Não inventaram romance zumbi ainda, inventaram? Se não, fica a dica. No filme que usei de exemplo aí em cima, cujo nome não me lembro, quem assiste torce bastante pelo casal, mas, no final, não dá certo. Fiquei catártico por uns 20 minutos.

Sempre fui contra a glamurização da morte em qualquer circunstância, e é bem isso que acontece em boa parte dessas histórias. O amor é lindo, sim, mas daí a precisar ter uma morte no meio do caminho pra perceber essa beleza eu já acho meio desnecessário. “Perder pra dar valor”. Precisa morrer? Seu cachorro precisa morrer pra você saber que o ama? Você precisa morrer uma perna pra saber que precisa das duas pra poder andar? Não basta perdê-la? Faça-me o favor.

“Ah, mas e a Saga Crepúsculo? É uma história de amor sem morte no final!”

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Então é isso, pessoalzinho. Prazer estar com vocês de novo. Tenham todos uma boa semana e nos falamos no próximo domingo. Até lá!

Natan
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3 comentários:

  1. E cá estou novamente para me opor.
    Eu não sei explicar, mas pra mim romance que emociona tem morte. Já falei, pra mim o sentimento mais expressivo é a SAUDADE!! O exemplo da perna é bem o meu ponto de vista. Como vc mesmo disso, bê, "vc não precisa perder uma perna pra saber que vai precisar dela pra andar..." Mais ou menos isso... Vou usar a mesma metáfora... Vc não precisa perder uma perna pra saber que ela vai fazer falta. PONTO. Isso é um fato, assim como vc não precisa perder quem ama pra saber que ama. Mas... Se vc perder uma perna e vivenciar a falta que ela te faz, é mt diferente e mt mais expressivo do que saber que ela faria falta. E certamente se tivesse a chance de tê-la de volta, cuidaria melhor dela, tomaria remédio pra osteoporose, cortaria as unhas dos pés, talvez até malhasse. kpakaoskdopaksopdkaopsk O mesmo se aplica com seu amor. A prática é mt diferente da teoria. Isso é outro fato. Contudo, ressalto que meu gurizinho já achou uma solução que agrade a nós dois: a perda não necessariamente precisa ser a morte, que peremptória (procurei essa pra vc que me fez procurar o que é "Catarse". E olha que eu já me catei, Catar-se... kaopskdopaksda) Continuando... Com a morte, nada mais pode ser feito... Existem outras opções para exprimir saudade e fazer a pessoa lutar pra ter novamente... Aí acho que encontraríamos o presente que agradaria gregos e troianos... Mas pra mim, é lei: ROMANCE TEM QUE TER SOFRIMENTO. Coisinha água com açúcar é namorinho... Sem sal. kaposdkpoaskopdkaspokdopaskpodas

    Fico por aqui, beijo, bê. Feliz dia dos namorados, te amo. s2

    Beijo pro Rafa e um abraço para os demais leitores e leitoras.

    Rômulo

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  2. E digo mais: Romance com morte não é coisa moderna do Nicholas Sparks (na minha modesta opinião, um gênio do romance contemporâneo), isso vem desde os primórdios da literatura clássica medieval. No mais famoso conto romântico, Romeu e Julieta morrem e até hoje se mostram o casal mais famoso das histórias dos apaixonados... Nicholas Sparks conseguiu transformar Romeu e Julieta em Eduardo e Mônica da atualidade. aopskdpoaskopdska Só não conseguiu ainda fazer isso sem morte. kaopskdopakspodka
    Mas pera aí!! Em "Querido John" ninguém morre!! kaposkdopaskopdkasopkdpoaksopdka

    Chega de falar, tô viajando!!


    Bj pra geral.

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  3. Rômulo, tenho que comentar: Morro com você comentando o post cheio de pompa! HAHAHAHAHAUHAUA. "(na minha modesta opinião, um gênio do romance contemporâneo)", juro que é bonitinho! Só o Natan pra ter esse efeito em ti mesmo! x)

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