Paralela Mente - Parte 2: Cronicando, por Natan

By | quarta-feira, agosto 01, 2012 Leave a Comment


(Estou um pouco atrasado, galerinha, eu sei, haha. Mas, conforme prometido na parte 1 do post, aqui vai a crônica do dia. Um beijo, um abraço e um bom restinho de semana procês tudo!)


Eu prometo - Natan Caetano - 2012


– Você não vai mesmo fazer isso de novo?
– Não, não vou, eu prometo.

A conversa se estendia na cozinha há longos minutos. Aquele parecia ser um assunto insolúvel. Nada o fazia esquecer aquilo e nada que eu dizia o convencia. Finalmente, depois de muita discussão, muita argumentação e até algumas faíscas, o deus ex machina de toda aquela tragédia foi uma promessa.

– Você tem certeza?
– Tenho, já até prometi.
– Eu não queria que prometesse...
– Por que não?
– Porque promessa é uma coisa que as pessoas fazem quando querem que a outra pare de encher o saco.

Deixei a faca sobre a pia, olhei-o com olhos bastante incrédulos, repousei um punho fechado sobre meu quadril e franzi o cenho.

– Por que diz isso?
– Porque é verdade, ora... Mas agora você já prometeu, e, se não cumprir, vai quebrar a promessa... Promessa é feita pra ser quebrada.
– Pelo amor de Deus, Álvaro! Se eu estou te prometendo que não vou fazer, é porque quero que acredite, definitivamente, que não vou! Pra mim, quando se promete algo, é porque realmente se pretende cumprir. Pensei que uma promessa fosse o ponto alto do compromisso com a própria palavra.
– Ah, não deixa de ser, mas é que sei lá... Eu não penso assim.
– Quer que eu retire a promessa?
– Não, só quero que não faça de novo...

Álvaro deitou a cabeça sobre os baços cruzados na mesa, com um olhar de criança chateada.

– Não estou te entendendo. De verdade.
– Não tem muito o que entender, eu só não gosto de promessas.
– Ok, então o que eu posso fazer pra te assegurar que aquilo não vai acontecer de novo?
– Não precisa fazer nada, eu acredito em você.
– Então por que estamos tendo essa discussão ridícula há quase meia hora e não chegamos a consenso nenhum?
– Porque eu sou inseguro.
– Exato. Pensei que uma promessa te traria um pouco mais de segurança.
– Muito pelo contrário. Agora vou ficar esperando que você quebre a promessa, e eu vou ficar muito triste se ou quando isso acontecer.
– Isso foi uma chantagem?

Sem resposta.

– Olha, eu acho que esta conversa já foi longe demais, não? Estamos discutindo por pouca coisa.
– Não é pouca coisa; é importante pra mim.
– Tudo bem; pra mim é irrelevante, mas, se pra você não é, eu respeito. Não quer minha promessa, então fique com a minha palavra: eu te dou a minha palavra que não vou mais emprestar seu vídeo game pra ninguém sem, antes, pedir sua permissão. Estamos conversados?
– Estamos...

Voltei a cortar meus tomates e encerramos o assunto.


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