A Culpa é das Estrelas - John Green, por Trinta.

By | quarta-feira, outubro 31, 2012 Leave a Comment
 
Às vezes nos perguntamos, independente dos motivos serem plausíveis ou não, por que tanta coisa ruim parece acontecer justamente conosco. Não é um dos pensamentos mais saudáveis, mas, cá entre nós, não somos uma espécie conhecida pela racionalidade (Opa, quero dizer, somos sim, mas eu sempre achei que houvesse um certo exagero nesta premissa). Recentemente estudei em Teoria Política  (Uma cadeira italicamente divertida, se é que vocês me entendem) que todo sistema em vigor na atualidade é um resultado das consequências de um sistema obsoleto (Como por exemplo, a Era Moderna sendo um resultado dos problemas da Era Feudal) e talvez isto faça mais sentido do que imaginamos, principalmente se aplicarmos na nossa própria vida. Quero dizer, você já pensou em como todas as coisas que temos hoje, seja um namoro estável, uma casa confortável ou até os nossos próprios pensamentos ao ler (no meu caso, escrever) este post parecem atados a outro evento preso no passado? Então... Podemos culpar algo pelas doenças, as tristezas... As mortes? Há alguma coisa lá em cima que trace os caminhos e atalhos da vida como uma rede de constelações? É, A Culpa é das Estrelas é um livro de perguntas.

Eu não gosto de começar a resenha já me mostrando completamente apaixonado pelo livro, mas sinceramente, dane-se: Eu estou apaixonado por esta... Esta coisa linda! Eu deveria estar escrevendo a sinopse agora de A Culpa é das Estrelas, mas uma força dentro de mim não está me deixando ser imparcial com vocês, então achei melhor entregar o jogo: Já é o segundo livro que leio do John Green e ele conseguiu se manter no primeiro lugar dentro do meu próprio pódio olímpico e pessoal de escritores do éssidôis (vulgo, coração)! Ok, ok, vou parar de fazer suspense porque eu sei que ainda nem falei mesmo do livro. E ele merece ser falado, repetido, compartilhado e espalhado por aí como um vírus.

Hazel Grace é uma jovem de 16 anos com um senso de humor questionável. Descrevê-la seria impossível sem citar seu dom para poesia (Do tipo que aprecia poesia, não ~escreve poesia~), seu gosto por reality shows descartáveis, seu look meio Natalie Portman em V de Vingança e, bem, sua doença terminal. Está se perguntando por que eu guardei a bomba para final? Bem, aposto que você iria gostar disso se fosse ela. Desde os 13 anos, Hazel vive com o câncer sem se deixar abalar com o diagnóstico nada animador que os médicos lhe deram - por mais que, por um milagre da medicina, seu tumor tenha encolhido bastante, tudo que lhe foi garantido foi apenas alguns anos a mais - e, ainda que sua vida tenha seus limites, Hazel a leva da melhor forma possível: Evitando sair de casa através de maratonas infinitas de America's Next Top Model. Até que um dia, sua mãe lhe obriga a começar a ir para o Grupo de Apoio de Crianças com Câncer da igreja local e, em um desses encontros,  Hazel parece chamar atenção de um novo visitante que simplesmente não consegue tirar os olhos dela...

A partir deste ponto, conhecemos Augustus Waters, o garoto de sorriso torto que parecia, à todas as custas, querer entrar no mundo de Hazel Grace. Augustus também teve câncer, motivo pelo qual teve sua perna amputada para se livrar do tumor. Pouco a pouco, acompanhamos a incrível relação entre os dois personagens e suas histórias que tinham tudo para serem encaradas da forma mais triste possível; porém, devido a maturidade que compartilham e  a visão única que cada um tem do universo ao seu redor, o livro ascende para um novo patamar. As conversas dos dois no passar dos capítulos são mais do que engraçadas, adoráveis, inteligentes e épicas; são mutáveis, do tipo que você viaja e se pega discutindo consigo mesmo assuntos ridiculamente importantes, como o medo de ser esquecido, a futilidade presente nas amizades, a verdadeira essência do amor, a importância da dor, o quão corajosos conseguimos ser e tantas, mas tantas outras coisas que eu, sinceramente... Não consigo especificar. É um livro muito difícil de ser sintetizado porque ele não tem limites de interpretação, como se cada um pudesse ver ali uma resposta nova para uma pergunta antiga. Repito, A Culpa é das Estrelas é um livro de perguntas.

Tem tantas citações desse livro que eu gostaria de colocar aqui (Principalmente as sobre sofrimento; Acho que todo mundo que já sentiu uma dor de arrancar a pele, fisicamente* e psicologicamente, vai acabar sendo tocado ainda mais por essa obra), mas é... Eu acho que estaria roubando a mágica de vocês. Apenas tenham em mente que eu, Trinta, sinceramente não tenha nada a reclamar dessa leitura. Rir, chorar, se identificar, gritar de ódio...  Ela transforma uma história pesada em um presente para suas manhãs, tardes, noites e madrugadas (Porque sim, você vai querer ler esse livro por horas e horas). E como eu acho que não há nada que eu diga que chegue perto de satisfazer o que eu queria passar ao mostrar para vocês este presente chamado A Culpa é das Estrelas, vos apresento esta música original que os nerdfighters (os fãs do John Green) fizeram pro livro. É uma mistura de várias citações da trama com uma composição bacana que sinceramente me fez soltar umas lagriminhas a mais (E você está falando com a pessoa que diminuiu a porcentagem de água no corpo de 70% para 65% depois de terminar de ler).



*Eu acho muito importante ressaltar o fisicamente. Todo mundo sempre fala o quanto "a dor de dentro é a pior", mas sinceramente, é hipocrisia subestimar tanto a dor em si. Acho que este é um livro feito para relembrar isto.
Todas as fan mades postadas aqui não me pertencem. Mas deus, eu acho uma mais fofa que a outra.
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