Paralela Mente: Ah, que saudade..., por Natan

By | quarta-feira, novembro 28, 2012 Leave a Comment
imagem: Getty Images (editada)

Boa tarde, gente bonita!

Tudo bem com vocês? Espero que sim. Demorei, mas voltei. E, olha, se vocês estiverem sentindo de mim a metade da saudade que eu estou sentindo de vocês... olha... vocês não estão sentindo nada, HAHAHA! Brincadeira, lindos. Como vão as coisas? Eu estive ausente porque esse negócio de trabalho e estudo + greve das federais alterou completamente o meu cronograma. Mas já passou. Eu acho. A tendência é piorar, agora, mas tudo bem, a gente dá um jeito.

E hoje, conforme o combinado, eu estou de volta trazendo um tema que, como eu disse no último post, afeta todos nós: saudade. Então prepara esse coraçãozinho despedaçado de carvão e vem com o Nate que hoje as emoções vão aflorar. Ou não.


Dia desses eu estava pensando sobre a saudade. O que é saudade? Qual a definição de saudade? E me peguei pensando nisso por ter visto um texto estrangeiro falando sobre “saudade” ser uma palavra que só existe em Português e tal. Fiquei um tempão com isso na cabeça, mas depois esqueci. E depois me lembrei de novo. E senti saudade.

Na faculdade de Letras existe um termo chamado frame, que é como se fosse uma resposta a um estímulo. Por exemplo: quando se diz “Natal”, os frames que nos vêm à cabeça são Papai Noel, árvore, sinos, neve, presentes, peru etc. Mas por que eu tô falando isso?

Tenho pensado muito em saudade ultimamente. Estou escrevendo um livro (não o mesmo que eu disse que estava escrevendo há um tempo), e esse livro, assim como os outros dois que eu já escrevi, durante o processo, me enche de saudade, porque ele ativa uma série de frames na minha cabeça.

Saudade geralmente vem quando algo que você amava muito é arrancado de você, de uma forma ou de outra. Quando tal coisa não pode ser devolvida ou substituída, ela vem mais forte ainda. Mas acho que não sentimos saudade o tempo todo. O que sentimos é dor, desamparo, desespero... Saudade vem depois, em outras doses. Acho que se se não tivéssemos estímulos externos, ou até internos, não existiriam alguns tipos de saudade a longo prazo.

Uma vez, quando criança, eu tive uma cachorrinha chamada Mel. Vira-lata, até meio feiínha, mas muito fofa. Lembro-me de que ela me foi dada, e ao meu irmão também, como presente de Natal. Estávamos passando em frente a um pet shop e ela estava para adoção. Pegamos e levamos pra casa. Não sei explicar como nem por que, mas desde o primeiro dia eu me apeguei àquela cachorrinha de uma forma indescritível. Era um amor enorme, intenso; amor puro de criança. Mas o problema era que nós já tínhamos uma outra cachorra, e ela não estava sendo muito receptiva com a Mel, que, além de ter sido mal recebida, fazia muita bagunça. Por umas duas vezes a minha mãe cogitou a possibilidade de devolvê-la para o pet shop, porque não dava pra abrigar as duas lá em casa, mas ela sempre desistia da ideia logo em seguida.

Até que, um dia, de manhã, antes de sair pra trabalhar, minha mãe avisou que iria mesmo devolver a cachorrinha pro pet shop. Eu saí da cama correndo ao ouvir a notícia e tentei impedir, mas, quando vi, Mel já estava dentro de uma caixa de papelão e minha mãe já estava de saída. Não pude fazer nada, nem ao menos olhar pra ela pela última vez e dizer “tchau”.

Eu chorei durante aquele dia inteiro e, confesso, estou chorando agora enquanto escrevo estas palavras. Depois daquele dia, ainda devo ter chorado por mais um mês, pelo menos, todos os dias. Choro doído, de saudade, de raiva, de dor, de tudo, mas, essencialmente, de saudade da companhia alegre da Mel. Ainda voltei no pet shop uns dois dias depois, sozinho, para ver se ela estava lá, mas já não estava mais. Tive raiva da minha mãe, da minha outra cachorra, de tudo. Depois de uns dois ou três meses eu consegui superar essa perda e, consequentemente, parei de sentir saudade. Hoje, essa saudade se tornou um sorriso nostálgico que me vem à cabeça quando eu lembro dos tempos em que a Mel esteve conosco, que foram poucos, mas inesquecíveis.

Bem, contar essa história não estava no script, mas foi um bom exemplo. Nunca mais pensei na Mel. Tive outros cachorros, o tempo passou e eu acabei “esquecendo”. Mas agora, escrevendo este post, é como se eu tivesse revivido aquele momento em que eu a vi ser arrancada de mim e isso acabou me emocionando. E é aí que entra a saudade. A saudade é a maior prova de que o que está fazendo você senti-la é/foi bom, verdadeiro, puro, assim como o que eu sentia pela Mel, que, da mesma forma, eu sabia que era insubstituível.

Saudade é coisa pra sentir de vez em quando, quando você vê aquele nome, ouve aquela música, sente aquele cheiro e logo aquele monte de frames de bons momentos passam pela cabeça. Então, se você sente saudade, de algo ou alguém, e pode matá-la, faça-o. Ligue, visite, procure, mande um recado, não custa nada. Se você não pode, não lamente por esses frames agora serem só recordações; em vez disso, sorria por eles, um dia, terem sido reais.

E eu vou ficando por aqui. Mês que vem eu volto, dessa vez um pouco antes, prometo. Uma boa noite pra vocês, bom final de mês/começo do próximo e até breve.

E eu sei que você suspirou de saudade agora que acabou de ler o post. Beijo.


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