O Choro da Donzela, por Laísa Couto.

By | quinta-feira, janeiro 31, 2013 Leave a Comment

Existe uma discussão antiga - e muito batida - sobre a existência de um poder inexplicável chamado magia. Seja pela chegada da idade adulta ou pela natureza cética humana, acreditar em coisas como princesas aprisionadas, monstros imbatíveis e encantamentos místicos sempre foi considerado uma arte para pessoas "mais para lá do que para cá" no assunto sanidade. Eu não sei quanto a vocês, mas isso me abalou muito depois da pré-adolescência - Então quanto mais o tempo passa, mais limitados e racionais devemos ficar? Ter esperança é ser imaturo? Por isso, eu olho para este post e penso: Não, a gente não pode deixar isso acontecer. E é abrindo as portas do universo fantástico dos contos de Laísa Couto que o Escolhendo Livros decidiu clamar alta e claramente: Existe a magia e ela está diante dos seus olhos. Sim, aqui é o lugar para isso.

Olha só! Parece que alguém decidiu acreditar.

Devo admitir - Estou surpreso. Mas como tudo que é bom nos surpreende... Parabéns, querido leitor, você fez a escolha certa. Aqui, apresentaremos um conto exclusivo da nossa querida Laísa Couto, uma obra ficcional para todos que querem entrar no mundo da imaginação e esquecer o caminho de volta. E opa, não fique triste quando acabar! É só a primeira parte. Então segure as rédeas do cavalo que a porta de entrada está logo ali além da curva.




O Choro da Donzela 
                                                                                                                                         por Laísa Couto

No alto de uma torre solitária, morava uma jovem donzela. Ali, a jovem sempre vivera sozinha, na sua própria companhia. Desde menina, a parede circular do seu quarto fora sua casa e a janela era a única porta para o mundo afora.

Todas as noites escuras e sombrias, a donzela acendia uma vela para afastar seus medos e pesadelos. No negrume do céu a Lua aparecia de quando em quando palidamente tornando a noite menos hostil. A donzela observava a noite pelo arco da janela e pensou se a Lua poderia se sentir triste e só como ela. Então a bela jovem confessou-lhe seu segredo mais íntimo para a grande Lua de prata.

Contou-lhe que todos os dias seu coração batia pesadamente na espera do seu grande amor que a levaria embora daquela torre solitária e sairiam voando pela noite num cavalo alado. A Lua, assim que segredou sua confissão, sumira na linha do horizonte, onde o céu tocava a terra. E a donzela fora navegar, nos mais profundos e belos sonhos. Um leve sorriso esboçou-se nos seus delicados lábios enquanto seu coração palpitava diante das doces ilusões sonhadoras.

No dia seguinte a donzela esperou ansiosamente por sua nova confidente. Depois do crepúsculo, lá estava ela, a Lua prateada. A jovem contou-lhe como seu coração esperava ansiosamente pelo dia que conheceria seu amado. Sua voz ecoava delicada e única pela noite escura, enquanto a Lua a escutava lá do alto, sentada no trono celestial. Quando a jovem finalmente confidenciou todo seu segredo à rainha da noite, sentiu-se como se tivesse repartido um bem que antes só tinha para si. Um bálsamo de tranquilidade tocou sua alma com seus dedos suaves e lá do alto da torre escutou o murmúrio abafado da floresta noturna, sinistra e misteriosa.

A bela moça da torre se despediu da Lua para ir desfrutar de mais uma noite no acalanto dos seus sonhos. Porém, logo desistiu de fazê-lo ao ver uma forma desconhecida desenhando-se no céu, a Lua parecia ser uma grande auréola protegendo aquela nebulosa forma. A figura fora se tornando mais nítida, e o coração da donzela disparou em surpresa, pois o ser que viajava solitário no céu era um ser alado. Tinha grandes asas e as balançava no ar como uma grande águia.

A jovem, muito contente, foi até o espelho e arrumou seus longos cabelos “Ele veio me buscar” repetia ela, com um grande sorriso nos lábios. Então, voltou para a janela e a sua felicidade sumira como o último suspiro antes da morte ou como se uma tempestade assolasse um dia ensolarado de primavera.

Continua...


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