Por Isso A Gente Acabou - Daniel Handler, por Trinta.

By | sexta-feira, janeiro 11, 2013 Leave a Comment
 

Lembranças. Um amontoado de besteirinhas que ninguém dá bola, só você. Estou falando daquela manchinha de suco de groselha que nunca saiu da camisa pólo do seu namorado, da risadinha boba da sua irmã mais nova quando está assistindo Três Espiãs Demais! ou aquele cheirinho de feijão de corda que só sua mãe sabe fazer... Coisinhas, pequenos bibelôs que não tem nenhum valor sem ser encher a sua vida de memórias. Hoje mesmo eu vi um post interessante no blog Ambiente Vistoriado (Sério, olha aqui!) o qual ensinava a fazer um pote de lembranças para o ano, onde você poderia jogar dentro notinhas de post-it narrando momentos marcantes de um dia, ingressos de filmes legais, folhinhas de lugares em que esteve e tudo aquilo que faz parte do seu presente e que, consequentemente, será o seu passado. Comicamente, ao terminar Por Isso A Gente Acabou, percebi o quanto guardar memórias assim deixam um feeling em você. Seja pro bem ou pro mal.

Ilustrações oficiais do Livro. Uma  deliciosa série de obras de arte!


Se você está se perguntando que caixa é esse aí em cima, vou ser bem claro: Ela é a prova de que tudo o que tagarelei no primeiro parágrafo tem lá o seu fundo de verdade. Ok, isso não esclareceu nada, então deixa eu ir direto ao ponto: Nela, Minerva "Min" Green guardou uma série de objetos como tampinhas de garrafa, caixas de fósforos vazias, ingressos de um filme antigo, brincos de gosto duvidoso e mais um monte de tralha a qual ela não consegue nem mais olhar. Junta a uma cartinha bem "explicativa", a caixa é abandonada por Min logo a frente da casa de seu agora-ex-namorado, o belíssimo Ed. Ali está um relato detalhado de todos os motivos deles terem acabado - Com direito a todas as evidências do crime. E ah... Ela explica cada uma delas.

Acho que não dá para começar a falar de Why We Broke Up sem elogiar, ou melhor, BABAR o trabalho da ilustradora Maira Kalman. O livro tem, sem sombra de dúvidas, o trabalho artístico mais bonito que eu já vi, mostrando cada um dos objetos-memórias do namoro de Ed e Min através de pinturas impecáveis, fofas e de caráter indispensável para entender boa parte da alma do livro. Não tem como não notar o quanto a obra se segura nas imagens tanto quanto elas se prendem a história, mostrando o quanto livros deveriam ter mais ilustrações de qualidade deste nível. É honestamente lindo e eu fiquei boa parte do tempo folheando ele que nem um bobo (Sem contar nas pessoas que queriam o ver, encantadas com as espiadinhas que davam por cima do meu ombro. Definitivamente é um trabalho que chama atenção). Infelizmente, o livro acabou ficando mais caro devido a isto e talvez muitas pessoas acabem se assustando com o preço sem nem pensar duas vezes em dar uma chance pra história. E sim, eu não me arrependi de nenhum centavo.

Para quem não sabe, o Daniel Handler é o Lemony Snicket (Desventuras em Série, minha gente!). Neste livro, o autor parte para um romance um pouco mais adolescente através da narrativa energética de Min, uma garota "das artes" (Ela não gostaria muito dessa denominação) que acaba caindo nas graças do co-capitão de basquete da escola, Ed Slaterton. Conhecer o relacionamento de Ed e Min é engraçado, porque no começo, você meio que entende a crítica dos amigos quanto ao rolo dos dois. "Eles não tem nada em comum, será que essa garota não percebeu o quanto aquilo nunca ia dar certo?" é um pensamento compreensível. Mas é aí que o feeling (e sim, essa palavra é importante pro livro. Uma das frases mais marcantes do livro, "either you have the feeling or you don't" - traduzido mais ou menos para "ou você sente isto ou não") entra em ação, infestando você com uma ingenuidade que te faz compreender o que tornou aquilo possível, único e mágico.  Min e Ed descobriram um novo mundo juntos e cada momento o qual compartilharam estão ali, naquela caixa repleta de flashes que não são nem bons e nem ruins, mas repletos de vida.

Por Isso A Gente Acabou tem uma forma bem delicada de mostrar o amadurecimento de uma pessoa, desconstruindo o passado em um relato às vezes cômico, às vezes reflexivo, conseguindo ainda soar real, íntimo e quente, como uma melhor amiga que precisa te contar um segredo ali e agora. Talvez seja a minha visão, mas eu não sinto que é um livro tão melancólico quanto aparenta. Acredito que é um obra feita bem mais de conselhos do que lamúrias, uma espécie de pesquisa de campo sobre o amor em em seu habitat estranho e imprevisível, onde dois animais distintos podem viver no mesmo ambiente. Talvez não para sempre, mas suas marcas? Essas nunca serão apagadas.

As tampinhas de garrafa que começaram tudo.


E se quer saber um pouco mais sobre o livro, deixo aqui uma série de entrevistas que o Daniel fez pra divulgação de Por Isso A Gente Acabou. Vale a pena, sério, o Daniel é tão divertido!

Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários: