Desculpa Se Te Chamo de Amor - Federico Moccia, por Trinta.

By | terça-feira, março 05, 2013 2 comments
 

Ah, o amor. Existe algo mais inexplicável do que isso? Eu, por exemplo, sempre gostei de imaginá-lo como um sentimento capaz de transformar duas pessoas completamente diferentes - seja pela cor, classe social ou signo do zodíaco - em um verdadeiro par perfeito (ou mais do que isso, afinal, a série da HBO Big Love e o filme Vicky Cristina Barcelona já nos mostrou que a poligamia é bem-vinda para todos). E é com essa bela ideia de um amor sem perfil padrão que nós devemos encarar a história de Alex e Niki. Ele, um publicitário endinheirado em seus quase 38 anos. Ela, uma bela e espevitada colegial em seus plenos 17. Pela primeira vez aqui no Escolhendo Livros, apresento-lhes Federico Moccia, um encantador autor que sabe exatamente como mostrar o delicioso charme italiano.
         
                    
Sim, esse livro também já tem filme! E olha que faz jus a obra, hein... 

Amor é perceber que talvez amar seja outra coisa. É sentir-se leve e livre. É saber que o coração dos outros não lhe é devido, não lhe pertence, não lhe cabe por contrato. 
A cada dia você deve merecê-lo.

 
Gifs: Missfroomy

Niki é a imagem perfeita da juventude a flor da pele. Faz o último ano do colégio, sai sempre com suas melhores amigas (as auto-intituladas e super engraçadas Ondas!), conta umas mentirinhas aqui e ali pros seus pais... Enfim, é uma garota que não mede esforços para ser exatamente aquilo que ela quer ser. Já Alex, ao contrário, expurga maturidade; é dedicado ao seu trabalho em uma agência publicitária, tem a cabeça presa em seus próprios valores morais e, mais recentemente, acabou de levar um senhor pé na bunda de sua noiva Elena. Apesar de estarem em momentos diferentes, Alex e Niki acabam se batendo no meio de um acidente de trânsito... E é através dessas duas vidas recém-entrelaçadas que Federico Moccia explica o feitiço do amor; aquela leveza, brisa e suave desapego vinda de uma paixão acima de qualquer barreira. 

Olhando assim de fora, Scusa Ma Ti Chiamo Amore tem tudo para ser um dramalhão russo ao melhor estilo Lo.li.ta. Afinal, para as mentes mais fechadas, este livro abrange uma relação amorosa a cinco passos da pedofilia (Cof, cof, Federico Moccia, seu safadinho...). Mas não, a Niki não "desce a ponta da língua em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra o dente." Nah! O autor foge desta discussão presa ao shock value da "diferença de idade" e parte para uma aura bem mais leve e efervescente. A paixão de Alex e Niki mostra que nem todos os relacionamentos precisam de etiqueta prévia ou plano de vida. O passado, o presente, o futuro... Para que pensar tanto nisso? Você é jovem agora e conhece alguém que está em outro momento de seu ciclo da vida, mas que ainda assim completa a sua simetria. A conexão entre duas pessoas não tem idade. E é a partir disso que Federico absorve o leitor dentro da rotina deste um amor puro e quente, capaz de inebriar até a alma mais gelada. 

Um elogio que deve ser feito é ao estilo literário do autor. Sua escrita é brincalhona, inteligente e muito, muito romântica, esta a qual torna o romance tão natural que nos convence logo nas primeiras páginas. Só para vocês terem uma ideia, as descrições de Federico são repletas de poesia, sim, no sentido literal da palavra, algo que eu honestamente não vejo mais com tanta facilidade hoje em dia. Deixa eu dar um exemplo básico: 
Eu amo o amor. A beleza do amor. A liberdade do amor. Amo a ideia de que nada é devido, que o amor dos outros, o tempo deles, a atenção deles são presentes a serem merecidos e não exigidos. Mesmo quando somos um casal. Fica-se juntos por escolha e não por dever.
Mais mágico do que isso é a atenção que o autor dá para o contexto da história. Não há um ponto da trama, um personagem, um evento que não tenha sua devida atenção. Praticamente todos os personagens secundários tem suas características peculiares, seja as Ondas (a safada Olly, a sonhadora Diletta e a cuidadosa Erica), os amigos de Alex (os sempre cômicos Pietro, Flávio e Enrico) e até os personagens da história paralela do livro, Paola e Mauro. Isso pode até torná-lo um pouco cansativo, - Apesar de ter "apenas" 413 páginas, Desculpa Se Te Chamo de Amor tem uma fonte pequena que acaba deixando o livro realmente longo - mas é compreensível uma vez que há personagem nele para dar e vender. Acredito que por mais bagunçado que o livro seja com suas incontáveis plotssidestories, todas acabam se provando necessárias e gostosas de se ler.

Agora, livro à parte, faço apenas mais uma recomendaçãozinha: Vejam o filme depois! Lançado em 2008 na Itália e estrelado pela fofa Michela Quattrociocche no papel de Niki e o deus grego talentosíssimo Raoul Bova como Alex, a adaptação pros cinemas deu uma versão realmente linda do livro para as telas. Não vou nem entrar no mérito das mudanças que houve nesse processo por que isso, hoje em dia, já é óbvio que acontece, mas ainda assim respeito muito a forma como mantiveram a essência da obra quase impecável. Aqui no Brasil você vai encontrar o filme com a péssima tradução de "Uma Lição de Amor" (meu deus, esse povo não poderia AO MENOS ter pesquisado que o filme já tinha o livro lançado aqui no Brasil com o nome CERTO de "Desculpa Se Te Chamo de Amor"?), mas a gente releva. Ah, uma surpresinha super legal A trilha sonora é completamente baseada nas músicas citadas no livro!

I was her. She was me. We were one. We were free. 
 And if there's somebody... Calling me on... She's the One.


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2 comentários:

  1. Comparar com Lolita, hmmm... Até porque realmente é um absurdo se discutir a pedofilia quando é uma garota de 12 anos. Nabokov deveria ter sido mais leve (??haha) Lolita tinha 12, não 17 ;)

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    1. Olá, tudo bem?

      Relembrei Lolita apenas porque o livro também trata de uma menina menor de idade com um cara muito mais velho. Não especifiquei em nenhum momento que a Lolita tinha 17 anos, minha breve comparação foi apenas devido a temática parecida. Foi um comentário para brincar com o caráter sexual que Nikki evoca o tempo todo a Alex usando de forma descontraída o famoso verso de Lolita.

      A analogia ao livro de Nabokov foi feita apenas pela similaridade da temática, não aos eventos da trama, gênero ou teor da narrativa. Isso é bem diferente mesmo e incomparável.

      Obrigado por comentar! :D

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