Entertainment Weekly: Entrevista com Gillian Flynn, a autora de Garota Exemplar.

By | sábado, setembro 28, 2013 Leave a Comment

O hype diz tudo. Gillian Flynn conseguiu conquistar o mundo inteiro com o suspense arrebatador presente em Garota Exemplar. Atualmente, é quase impossível entrar em uma livraria e não encontrar ao menos uma pilha de seus livros na prateleira dos mais vendidos. Como adoramos ficar atentos ao que está acontecendo no mundo da literatura, a nossa equipe correu para encontrar uma boa entrevista com a autora americana pela web e, felizmente, conseguimos traduzir essa matéria super divertida feita pelo Entertainment Weekly. Dá para acreditar que por trás de tanto talento existe uma autora tão simpática?

(Nota: A matéria foi publicada originalmente no dia 26 de junho de 2012. Favor se atentar aos lapsos de tempo)
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Com o seu último romance Garota Exemplar, Gillian Flynn  - uma antiga crítica de TV da EW e autora das obras Sharp Objects e Dark Places - escreveu o livro do verão. Ontem, Amazon nomeou Garota Exemplar o melhor livro de 2012 até então, e no mês passado, a EW preveu que esse seria o trabalho que a levaria ao estrelato. Flynn conversou comigo sobre o processo de ideias que rolou por trás de seu perturbador thriller psicológico. (Alerta de Spoiler: Nenhum grande segredo é revelado aqui, mas é melhor saber o menos possível sobre o Garota Exemplar antes de ter a chance de lê-lo). 

ENTERTAINMENT WEEKLY: Como você criou a premissa de Garota Exemplar?
GILLIAN FLYNN: Eu queria escrever sobre casamento. Nos meus dois primeiros livros, meu protagonistas eram solteiros quase ao ponto de não terem ligação com ninguém no mundo. Eu queria explorar o completo oposto disso - quando você se une a outra pessoa para sempre, e o que acontece quando tudo começa a dar errado. Durante o livro, eu brinco com a ideia de cortejar alguém como se fosse um jogo de trapaça. Você quer que a pessoa goste de você, logo você nunca irá mostrar para ela os seus piores defeitos antes de ser tarde demais. 

EW: O romance é uma mistura de gêneros: É parte drama doméstico, parte thriller policial.
GF: Você está certo. Não há nenhum cadáver ou mortes em abundância. O suspense vem a partir deste casal,  Nick e Amy, e de tentar descobrir quem é que está falando a verdade. É um cabo-de-guerra de "ele disse, ela disse".

EW: O livro também parece com um daqueles casos misteriosos que passam no Dateline. 
GF: Eu sou aficionada por crimes verídicos. Não é algo que eu particularmente me orgulhe, mas eu não consigo evitar. Você assiste um desses shows como qualquer outra pessoa. Uma esposa desaparece; você assume que o culpado é o marido. Para mim, essa era uma ideia realmente interessante.  

EW: Você se baseou em algum caso real para criar a história de Garota Exemplar?
GF: Eu definitivamente não queria fazer nada específico. Alguns podem fazer referência ao caso de Scott e Lacey Peterson - eles eram com certeza um casal bonito. Mas eles sempre são casais bonitos. Esse é o motivo deles acabarem passando na TV. Você não vê normalmente pessoas que são incrivelmente feias que desapareceram e que viraram uma sensação na mídia. Pode ser qualquer caso deste tipo, mas isso era o que chamava a minha atenção: a seleção e a montagem de uma tragédia. De certa forma, eu construí essa ideia ao contrário no livro: O que vai dar o ânimo para deixar a mídia mais interessada e o que vai deixar a história mais crível para que a imprensa desça o verbo sobre?

EW: Seus personagens são tão espertos! Eles sabem exatamente aonde a mídia irá se prender.
GF: Eles são espertos! Todos nós somos bem espertinhos. Esse é um outro tema que eu estava interessada em brincar no livro: a ideia de que é difícil para qualquer pessoa afirmar que não sabe como essas coisas funcionam (a mídia), porque nós estamos tão imersos nesse mundo, na internet, na TV e nos filmes. Não há mais novas histórias. Eu sinto como se nós estivéssemos caminhando para um lugar onde tudo ricocheteia de outra coisa, despertando uma memória, uma referência ou um pensamento já visto. Isso acabaria chegando ao ponto de eu ter conversas com amigos que dizem "Essa não é uma história que alguém me contou, ou um livro que eu já li ou talvez algo que vi em um programa de TV?" e aí você perderia 10 minutos tentando entender porque vocês dois tem essa mesma sensação, até se lembrar que isso veio de um velho episódio de Cheers ou algo louco do tipo; e isso fica gravado na sua cabeça.

EW: Parte da diversão encontrada em Garota Exemplar está na hora de escolher um lado. Team Amy ou Team Nick?
 GF: Exatamente! A todo momento, a perspectiva de quem eu estava escrevendo era o lado o qual eu estava apoiando. Claro que eu fazia isso sem entregar muito da trama - Afinal, nenhum deles fazia a coisa certa o tempo todo. *risos* Ao mesmo tempo, os dois começaram de um ponto em que pensavam ter encontrado a alma gêmea de suas vidas. Eu não consigo imaginar nada mais devastador do que descobrir, lentamente, ao passar do tempo, o quão errado você estava sobre alguém.

EW: Como você tem visto as reações dos seus leitores e leitoras quanto ao casamento de Nick e Amy?
GF: Vários dos meus amigos homens se identificam com o sentimento de "não importa o que você faça, não será bom o suficiente" - a ideia de ser sempre visto como o palerma da relação matrimonial. Isso parece ser um ponto que os atingem. Já para as mulheres, o sentimento de sempre ter de estar no controle de tudo é algo que as incomodam. Alguns homens acham que Amy é a melhor e pensam que ela está completamente no seu direito de fazer o que quiser, e eles até o teriam feito também. É engraçado descobrir aquilo que chama a atenção das pessoas.

EW: O que o seu marido achou do livro?
GF: Primeiro ele me comprou flores. "Está tudo bem, querida?" *risos* Não, não, ele estava empolgado com tudo, não quis que eu mudasse nada por sua causa.

EW: Nunca foi estranho se aprofundar na vida de um casal tão dark e depois ter que voltar para a sua própria na hora do jantar?
GF: Eu costumava escrever algumas cenas no meu escritório no porão enquanto escutava meu marido no andar de cima. Aí eu falava para mim mesma "Deixa disso, Flynn. Mantenha a loucura no andar de baixo." Eu deveria fazer uma camiseta com isso.

EW: Você costumava escrever sobre cultura pop. Quais filmes você estava pensando enquanto escrevia o romance?
GF: É uma peça que virou um filme, mas com certeza "Quem tem Medo de Virginia Woolf?". Os diálogos são tão bons. Além desse, também tem "A Guerra das Rosas", que é uma das melhores comédias de humor negro de todas. Eu fui ver de novo e fiquei muito feliz por ainda continuar tão louca, triste e hilária quanto eu me lembro.

EW: Há alguma música que te inspirou para a história?
GF: Isto vai soar muito estranho, mas existe esta velha balada sobre assassinato que às vezes é chamada de "Rose Connelly" e às vezes de "Down in the Willow Garden" que eu sempre pensei que fosse o tema solitário que embala o livro. Ela é cantada por um homem que fala sobre matar a sua namorada grávida. É um belo, elegante e lúgubre tipo de música que eu conseguiria ver Amy dramatizando sobre, escutando enquanto escrevia em seu diário e se divertindo com a tragédia da coisa.

EW: Como você se sente quanto a Amy Adams interpretar a personagem Libby do seu último trabalho, Dark Places?
GF: Eu não conseguiria sonhar com alguém mais fantástico. Nós já temos um diretor oficial, Gilles Paquet-Brenner, e ele está realmente se dedicando no filme. Eu li o roteiro e está maravilhoso. Trabalhei na EW porque eu amo filmes, TV e livros, então para mim, ter um dos meus livros adaptado em um filme é uma das coisas mais legais.

EW: Eu conversei com a Patricia Cornwell uma vez sobre essa mudança do gênero criminal de algo puramente procedural para algo mais trabalhado no desenvolvimento do personagem, que é um  dos foco principais do seu trabalho. Você também percebe essa mudança? 
GF: Sim, eu não sei bem o porquê disto acontecer, mas eu acho que as pessoas são atraídas pelo desenvolvimento dos personagens se esses estão presos em um mistério. Acho que é uma boa forma de contar uma história e eu acho que cada vez mais os bons autores tem se interessado por esse tipo de narrativa. Para mim, tudo começou com Sobre Meninos e Lobos e Dennis Lehane. Eu lembro de ter o lido quando eu ainda trabalhava na EW e escrevia Sharp Objects. Li o livro em uma noite, tinha que ir trabalhar no dia seguinte e eu ainda estava completamente obcecado com ele, refletindo sobre sua trama e eu pensei: "É assim que eu tenho que contar esta história." Foi dessa maneira que decidi escrever Sharp Objects. Ele foi uma grande influência. Eu acho que escritores de mistério e de suspense - seja lá qual é o gênero que você queira chamar isso - estão pegando os maiores e mais interessantes tipos de problemas socioeconômicos e utilizando-os das formas mais interessantes e atraentes.
 
Entrevista com Gillian Flynn, a autora de Garota Exemplar é uma tradução exclusiva do Escolhendo Livros 










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