A Fronteira das Almas (Série Necrópolis #1) - Douglas MCT, por Trinta.

By | segunda-feira, outubro 28, 2013 Leave a Comment
Como uma criança fascinada por poções polissuco e pedras do sol, muito me assustava o constante desinteresse que sentia quando o assunto era fantasia nos últimos anos. Abdiquei quase que completamente da literatura fantástica, e se pudesse contar o número de livros do gênero que li de 2010 para cá, talvez não chegue nem a todos os dedos de uma mão. Antes que me repreenda com um "E Game of Thrones?", vou logo levantando um escudo - Ainda não estou na vibe (ok, eu vi as duas temporadas da série da HBO e não, não me empolgou a pegar nos livros). Mas felizmente, como o meu interesse por terror sempre foi acima do normal, dei uma pesquisadinha e encontrei um subgênero que me apeteceu logo de cara: Dark Fantasy. E é com Necrópolis, um universo sobrenatural repleto de misticismo, que o paulista Douglas MCT conseguiu renascer uma esperança dentro de mim.

O amor fraterno é algo imensurável. Isso ficou claro para Verne Vipero quando o primeiro instinto que sentiu ao perder o seu irmão mais novo, Victor, foi o de encontrar alguma forma de trazê-lo de volta a vida. Apesar do seu ceticismo, Verne descobre que há uma forma de burlar o ciclo natural da existência, e para isso, terá que partir em uma jornada para Necrópolis, um dos dois mundos que integra Moabite, o sétmo entre os oito Círculos do Universo. Entretanto, mal ele sabe que a sua viagem desencadeará uma sequência de fatos irreversíveis que afetará tanto a vida na Terra quanto a sobrevida no Submundo Necropoliano. 

Como o primeiro livro de uma série, A Fronteira das Almas consegue em poucas páginas (o livro possui 293 páginas, contando com um extenso glossário, agradecimentos e um epílogo da sequência!) apresentar um universo que me deixou bobo. Falo isso porque o autor criou uma mitologia própria riquíssima, com todo o direito do superlativo, que engloba fantasmas, zumbis, lycans, vampiros, duendes, anões, fadas e milhares de outras criaturas mágicas que poderiam facilmente causar um samba de criolo doido, mas, choquem-se, funciona. Acho que o maior problema que vinha tendo com qualquer título de fantasia era a mistureba desconexa que todas pareciam ter; como um liquidificador de mitologias que apenas "grudava" as espécies em uma história qualquer. Em Necrópolis, raras foram  as vezes que eu não vi a química entre os personagens e só por isso, eu já abri um sorriso no rosto.

Além disso, acompanhar a trajetória de Verne não é nem um pouco enfadonho, graças ao incrível talento que o autor tem em tecer os pontos-chave da história, explicando a passagem de Verne para Necrópolis e seu encontro com Simas, Karolina, Ícaro e os vários outros personagens no trajeto de sua aventura sempre dando um ~gostinho de novidade~ para o leitor. Sério, foram tantos lugares, inimigos e acontecimentos novos que eu AINDA estou impressionado que o livro seja tão curto.  Praticamente a cada capítulo o protagonista está em um cenário diferente ou a narrativa muda para outro espaço temporal da história e isso ajuda bastante em nos deixar submersos na obra. Não vou dizer que isso não tenha tidos seus momentos perigosos, (sempre tem aqueles núcleos de personagem que você não se importa tanto quanto os outros - Cof cof capítulos centrados no Simas cof cof) mas, honestamente, achei um ponto positivo para a trama.

No entanto, como nem tudo é perfeito, achei alguns desfechos da narrativa muito "convenientes",  por assim dizer. Não sei se comprei todas as pessoas que apareceram no caminho de Verne tãããããão propensas a ajudá-lo em sua missão - Quase como se o personagem carregasse um nível de carisma a lá Miss Universo (e diga-se de passagem, ele não carrega.). Se levarmos em conta o perigo absurdo que esta viagem representava, achei até absurdo a devoção que alguns personagens colocavam no protagonista, principalmente por este ser, teoricamente, um completo estranho para eles. Para completar, achei Verne um personagem muito limitado, e eu odeio quando os personagens secundários parecem ter uma profundidade muito maior que o protagonista. Cito aqui o próprio Simas,  que apesar de não ser o meu favorito (Karolina <3), conseguiu me convencer muito mais em seus capítulos próprios do que Verne no livro inteiro.

Mas, honestamente, eu poderia até ser mais chato com estes detalhes, mas dessa vez, digo que dá pra deixar tudo isso passar. Necrópolis é redondo, uma experiência maravilhosa que até conseguiu me deixar com medo em alguns trechos (A própria introdução é um bom exemplo disso.) Deixo aqui para vocês o book trailer para conhecerem melhor essa obra que, sinceramente? Não deve nada para qualquer livro estrangeiro de fantasia.

P.S: Eu encontrei alguns errinhos de digitação, fica aí uma recomendação para a editora: Revisão, já!

P.S²: Eu quero ler o segundo livro! Nem acredito que tô falando isso, mas estou E-M-P-O-L-G-A-D-O! 

P.S³: Para quem acha que livro nacional de fantasia nunca é bonitinho, Necrópolis tem ATÉ mapinha ilustrado, tá, meu bem?
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