O Castelo das Águias - Ana Lúcia Merege, por Julio.

By | quarta-feira, outubro 30, 2013 Leave a Comment
capa // fonte


Sejam bem-vindos a Athelgard, Escolhedores! Feche os olhos e sinta a brisa suave que corre além dos horizontes das Terras Férteis. Seja um elfo ou um homem, seja um mago ou uma Mestra de Sagas nessa terra de oportunidades e mistérios. Não esqueça de dar a mão e entregar-se a seu Herói, pois, às vezes, a fé pode salvá-lo de muitas emboscadas. Se você não souber se defender, é melhor começar a aprender: pois nunca se sabe os perigos que cada passo oferecem. Vamos partir para nossa jornada no Castelo das Águias!

O mapa de Athelgard. // Fonte
A História de O Castelo das Águias se passa no mundo fictício de Athelgard, uma terra que muito se parece com uma ponta de flecha, ou, ao meu ver, uma impressão digital ou mesmo a cabeça do zé-gotinha.
Lá conhecemos Anna, da cidade de Bryke, mais precisamente da Floresta dos Teixos. Tudo começa com a chegada de Anna em Vrindavahn, onde ela irá ser Mestra de Sagas (algo parecido com professora de literatura but with magic) na escola mágica do Castelo das Águias.
O Castelo das Águias é cheio de belezas e mistérios, dentre estes, existem as Águias que deram nome à escola. Elas são mágicas. Isso, cheias de pó de pirlimpimpim. A trama principal do livro envolve elas: pois as águias correm perigo. Anna e os outros professores tem de lutar contra o mal iminente que ameaça as águias. Aí vemos uma boa mensagem ecológica escondida na narrativa.
Essa seria a sua reação ao ver uma das águias.
Não tente negar.
Não, não negue.
Não negue, meu amor. (8)
Ignore.
Anna de Bryke conhece os professores, e entre eles, se destaca Kieran, o Mestre de Magia da Forma e do Pensamento. A jovem Anna se apaixona por aquele que descobre ter sido um antigo Mestre das Águias, da cidade de Scyllix (vocês só vão descobrir esses termos se lerem o livro, não vou falar, humpf!).

O Castelo das Águias se revela um livro incomum e maravilhoso à medida que avançamos na leitura: ele não se prende apenas na história das águias, ou da paixão de Anna por Kieran. Não, existem mensagens e histórias menores dentro - existe um mundo muito maior que Vrindavahn e o Castelo. Ana Lúcia Merege utilizou de sua espetacular maneira de narração para transformar o leitor em seu convidado. 

Nos deparamos com Athelgard de forma precisa, real. Quando a autora descreve as águias, ouvimos seu bater de asas e seu esplendor nos céus da Floresta das Águias. Quando a narração se desbrava com cenas de ação, arrepios envolvem nossa pele e quase desviamos dos golpes dos personagens, e somos envolvidos pelas descrições belas da cidade e cenários diversos. O livro nos absorve e somos engolidos pelo clima, sem nem perceber a mudança.

Ana Lúcia Merege apresenta-nos temas recorrentes à sociedade contemporânea de forma sutil no livro: a diferença entre as sociedades, as relações políticas, a supressão religiosa e até mesmo machismo/feminismo e estupro!

A questão das religiões é minha favorita: em Athelgard, louvam-se o Deus Único e os Heróis (como Deuses Menores, representações do Uno). Anna de Bryke, é, porém, uma índia: suas crenças são diferentes, muito parecidas com as das tribo norte-americanas. Ela é adepta da crença no Grande Espírito, e seguidora do Espírito do Lobo - que é o seu clã, a sua Casa. Se fosse louvar um Herói, porém, ela se sentiria mais à vontade rezando para Loki - que é chamado de "O Esquerdo" (parecido com Satã, o Inimigo). Isso não muito bem-visto: e aqui revela-se mais uma questão social.

É a Estranha no Mundo Novo, que sofre preconceito por ser humana em um lugar onde elfos dominam as profissões de Mestres, por ser mulher, em uma sociedade machista, e por ter suas crenças diferentes. Como isso influencia na história? Anna de Bryke se impõe. Ela não sai queimando sutiãs. Mas se revolta, busca soluções e usa de sua maior artimanha - contar histórias - para suas intrigas.

O Castelo das Águias é genial pela sua dualidade. Algumas pessoas vão ler e ver a história infanto-juvenil encantadora de Anna, Kieran, e das Águias. Outras verão a mesma história - mas também com outras diversas possibilidades e rumos que os personagens e enredos paralelos podem tomar. Athelgard é magnífico, e convido todos a fazerem parte desse lugar.



Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários: