Uma Prova de Amor - Emily Giffin, por Trinta.

By | terça-feira, outubro 22, 2013 Leave a Comment
 
Havia comentado há algumas semanas atrás no post da Bienal do Livro que consegui o meu primeiro autógrafo ~estrangeiro~ com ninguém menos do que Emilly Giffin. Para quem não conhece, Emily é a autora dos bestsellers americanos Ame o Que é Seu e O Noivo da Minha Melhor Amiga, esse último adaptado para os cinemas em 2010. Como nunca havia pegado nenhum de seus romances, optei por comprar no evento o último lançado aqui no Brasil - Baby Proof, traduzido para Uma Prova de Amor (Sem comentários) - pois era a obra que Emily veio promover na visita. Me pergunto se essa foi a melhor forma de conhecê-la...

Em Uma Prova de Amor, somos apresentados a Claudia Parr, uma editora de livros nova-iorquina muito bem casada e sem filhos. Mas não, ela não "decidiu esperar". Claudia Parr NÃO quer ter filhos por livre e espontânea vontade. Quando conheceu Ben em um encontros às escuras, mal imaginava ela que encontraria o homem de sua vida. Ben era carinhoso, bonito, engraçado e, como se não fosse o suficiente, compartilhava da mesma filosofia no assunto "bebê" - Motivo que deu o empurrãozinho final para Cláudia decidir juntar os trapos sem nem pestanejar. No entanto, os anos passam e o inesperado acontece: Ben muda de ideia. E como em todo casamento perfeito, uma simples mudança pode colocar tudo a perder.

Exposta a sinopse, fica mais fácil explicar o que me desagradou nessa escolha. Uma Prova de Amor entrega, da sinopse até a introdução, passando pelo desenvolvimento dos personagens e chegando nas últimas páginas, uma ideia de fórmula pronta. Talvez eu esteja sendo duro demais com a autora, mas senti durante boa parte da leitura, uma sensação de que o livro tinha um prazo para entregar; como se o manuscrito precisasse ser finalizado o mais rápido possível e por isso, não houvesse tempo para emperequetar muito o fio narrativo. Era tanto lugar comum junto - personagens-padrão, expressões clichês, diálogos vazios, situações típicas - em um tema que por si próprio já é saturado ao extremo no mercado literário ("Ter filhos ou não?" ZZZZZZZZZ) que eu cheguei ao ponto de ler o livro no automático. E eu detesto quando isso acontece.

Ok, deixa eu explicitar melhor essa ideia. Ler no automático, na minha concepção, é aquele estado em que não estamos lendo um livro pelo prazer da história; seja por criar uma emoção ou por um beliscão de curiosidade no âmago do peito. É uma leitura sem cor, em que zapeamos pela linhas das páginas depressa, sem se se preocupar com as descrições ou com o alívio estético de cada capítulo. É um livro feito puramente para distrair, sem nem se importar em deixar uma marca no leitor. Como uma música pop entupida de filters e dubstep; um filme blockbuster de Hollywood de roteiro questionável; um comercial colorido e bonito de cerveja. Baby Proof não é mal-escrito nem nos faz de idiota; é apenas desnecessário. E talvez não haja coisa pior para um livro do que nos deixar... Indiferente.

Por isso, penso que essa obra não foi a melhor decisão que poderia tomar para conhecer a autora. O drama de Claudia é até palpável, cheio de reviravoltas e com o desenvolvimento bem elencadinho; mas o que importa uma boa técnica sem a desenvoltura de uma história saborosa? Provavelmente deveria ter partido para os seus maiores sucessos neste primeiro momento (a trilogia Something Borrowed) que, provavelmente, exigiram um pouco mais de Emily para agraciar sua base de fãs com um obra divertida e gostosa; como os chicklits devem ser. E não se enganem - Isso não é uma crítica ao gênero. Eu AMO comédias românticas, com todo o seu açúcar e utopia. Vejo nelas uma necessidade no mundo, que às vezes é realista demais e precisa da suavidade de um bom romcom. Mas até os romances precisam de seu carisma, e isso, infelizmente, dessa vez me passou despercebido.

Desculpe, Emily, não foi dessa vez. Mas talvez eu ainda leia O Noivo da Minha Melhor Amiga.

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