Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros - Seth Grahame-Smith, por Nikos.

By | segunda-feira, maio 05, 2014 Leave a Comment
Acredite, é melhor do que parece.
Bem, quanto livros que inspiraram filmes nós temos por aí? Muitos, correto? E normalmente, o livro é melhor que filme. Abraham Liconln, Caçador de Vampiros, apesar do título super confiável (só que não) é um raro exemplo de um livro que não é melhor que sua adaptação, é apenas diferente...
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Ok, é melhor.

Para aqueles que passaram a noite no caixão do vampiro sentindo a presa no pescoço (ui), Seth Grahame-Smith é um louco que já escreveu umas coisas interessantes e que pouca gente conhece como The Big Book of Porn e How to Survive a Horror Movie. Livros que não vão mudar sua vida de forma nenhuma mas são engraçados. Escreveu pra Marvel uma vez, uma história bem mais ou menos com zumbis. E também escreveu uma mistureba com aquele livro de mulherzinha da Jane Austen, o Orgulho e Preconceito, com zumbis. Eu não li, mas o Trinta me disse que é divertido. Quando eu estiver entediado, eu leio.

Considerando as doideras que esse sujeito já escreveu, ninguém melhor pra colocar o décimo sexto presidente americano pra lutar contra vampiros, correto?

Olha, se você está esperando um livro pipocão igual o filme, sinto te decepcionar, mas farofa é a última coisa que você vai encontrar neste volume. A história é, na verdade, um "livroception". É um livro que está contando a história dele mesmo. Não entendeu? O tio explica: no livro, o autor (o Seth) trabalha numa lojinha e recebe a visita de um vampiro (ele ainda não sabe disso) que pede pra ele escrever uma biografia do presidente Abe Lincoln, baseado em diários secretos onde o homem escreveu sua vida como caçador. Obviamente, o autor acha que o cara é maluco e que vampiro não existe, mas o chupa-cabra prova o contrário pra ele e o cara fica obcecado pelo cartoludo e começa a escrever a biografia.

Face cartola.

Pronto, é aí que o livro e o filme se distanciam drasticamente. Enquanto no filme temos elementos "massavéio" a sair pelo ladrão, no livro temos uma descrição incrivelmente verossímil (é sério) dos acontecimentos da vida de Abe, como seria em uma biografia de verdade.

O autor foi competente ao criar um Abraham Lincoln que REALMENTE vive no século 19. Ele pensa como um homem de sua época. E não ache que vai encontrar um texto altamente republicano de forma gratuita. Ele conseguiu fazer com que tudo que foi escrito tivesse um propósito dentro do contexto da história. E que história.

Lincoln é um cara "católico", atormentado pela morte da mãe e com ódio mortal de vampiros. Ele está longe de ser o herói ideal, que só pensa coisas boas e só faz o bem. Apesar dele receber o apoio de outros vampiros, como Henry, do qual se torna bem próximo, dentro de sua mente ele generaliza a raça como algo que deva desaparecer da face da Terra. Aceitar o auxílio da raça rival, depois de algum tempo, se torna algo mais prático do que movido pelo companheirismo.

Durante sua jornada, Lincoln descobre como os Estados Unidos sempre estiveram nas mãos dos vampiros, por formarem um país relativamente jovem e com governo um tanto quanto caótico e medroso. Não quero contar detalhes da história que podem matar a experiência, mas obviamente temas como escravidão e banquetes sinistros marcam presença no decorrer do livro.

E por falar em banquetes esquisitos, uma das poucas coisas que me incomodaram durante a leitura foram os vampiros e a forma como eles lidam com suas próprias necessidades. O sugadores de sangue dessa obra possuem uma das melhores "explicações de vida" que já vi em algum livro do gênero. A descrição da vida de um vampiro dada por Henry numa conversa com Abe é curta, mas é incrível. Porém, os vampiros que aparecem no decorrer da história meio que frustram suas expectativas. Eles são ruins de verdade. Não são só egoístas e agem por instinto. Eles são seres vis, que saboreiam o sofrimento, não só o sangue. Isso me incomodou um pouco, pareceu forçado, mas é esquecível.

Banquetão!

Voltando a falar na forma como o livro é escrito, ele é uma "biografia". O texto é dividido de acordo com as fases da vida de Abe, desde criança, quando ele descobre a existência dos vampiros, até sua morte, quando ainda era presidente (isso não é um spoiler, até eu sei como ele morreu). Esses mega-capítulos são então divididos em mini partes, coisa que vocês já devem ter notado que eu A-DO-RO (amo checkpoints).

No decorrer das páginas o autor insere os supostos trechos, dos supostos diários do suposto caçador de vampiros para explicar como ele chegou a conclusão dos acontecimentos da época. E não só de trechos vive o livro, mas de imagens, supostamente produzidas durante esse período, retratando momentos históricos e particulares de Lincoln. Existem algumas ilustrações que podem realmente ser reais, mas a fotos não são por completo. Aí que mora mais um problema.

Provavelmente, algumas ou todas as fotografias usadas no livro são reais. Mas todas sofreram alterações no Photoshop. E o "sofreram" aí está sendo usado da forma ruim, porque as montagens são péssimas. Trabalho com Photoshop há muitos anos, e uma artéria minha entope quando vejo essas atrocidades (drama). Mas tudo bem, mesmo isso não estraga a fantasia. Se você fechar os olhos pros defeitos (ou se você for feliz e não perceber), a experiência continua fascinante.

E o final, o que dizer sobre ele? Todo o livro é tão bem escrito e montado seguindo fielmente a premissa que você não imaginaria que o final pudesse ser ruim. Pois vou logo avisando que o final não faz justiça a obra. Arrisco afirmar que ele meio que trai o próprio conceito. Além disso, a ÚLTIMA página do livro é a página que joga um balde de água fria no que poderia ser um livro incrível do início ao fim. Sério, foi meio lamentável a saída do autor pra terminar a obra.

Apesar do final "meh", o livro é uma das experiências mais divertidas e convincentes que já tive lendo um livro. Você se apega ao personagem e, mesmo com sua visão dura do mundo, você torce pra que ele se dê bem o tempo todo. Nenhum dos problemas citados estragam a leitura e, se você abrir a mente, pelo menos por um breve instante, você pode acreditar que o que você está lendo é real.

Mas só por um breve instante.

Brinquedinho.


O BOM:
  • O texto é fluído e crível.
  • Abraham Lincoln é um personagem tão convincente que você pode aceitá-lo como real.
  • A forma como a proposta do livro é apresentada no primeiro capítulo é bobinha, mas sensacional.
O RUIM:
  • A proposta se trai de forma meio bisonha quando vai chegando perto do fim.
  • As montagens usadas para ilustrar os momentos históricos são péssimas.
  • O final foi o mais "bunda" possível (parece que o cara se esforçou pra isso).
Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião nos comentários.


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