Resenha: Half Bad - Sally Green.

By | terça-feira, outubro 28, 2014 Leave a Comment
Sucesso de vendas, Half-Bad explora o universo mágico dos bruxos da luz e os bruxos das sombras


Half Bad é o primeiro livro da autora britânica Sally Green. Ele conta a história de Nathan, um bruxo que vive em um mundo dividido entre os Bruxos da Luz e os Bruxos das Sombras. O problema reside no fato que o jovem é filho de uma Bruxa da Luz com o maior Bruxo das Sombras que existiu. Sendo um bruxo meio-sangue, Nathan passa a sua infância em meio a testes e restrições impostas pelo Conselho, um órgão que comanda a vida dos bruxos.



O livro começa interessante, com uma narrativa surpreendente na segunda pessoa, fazendo com que o leitor adentre na história de forma profunda. Os primeiros momentos do personagem são realmente bem escritos, e mesmo com o ritmo rápido, iniciam com maestria a jornada do protagonista para o leitor. A forma como o leitor é apresentado ao mundo é abrupta, como se já soubéssemos de tudo o que acontece ao redor; mas a autora soube lidar com a situação de forma delicada, introduzindo aos poucos informações simples e sem muitos rodeios. Além disso: história desperta interesse. Existe uma boa camada de aspectos sociais e humanos escondidos sob esse manto fantástico.


À medida que as páginas passam, porém, a autora muda para a narrativa em primeira pessoa, o que não é ruim, mas causa um estranhamento - quase como se dividisse a experiência ("você passou por aquilo" vs. "eu passei por isso"), deixando a leitura rasa em alguns momentos. É como se, no princípio, o protagonista lhe lembrasse uma história que aconteceu com você, mas então, do nada, interrompesse a começasse a falar de si mesmo.

Nathan possui uma personalidade plural e complexa, sendo o melhor personagem do livro. Porém essa personalidade às vezes parece mal trabalhada, ou mesmo esquecida. Existem cenas contraditórias: em certas partes do livro (quase todo ele, na verdade), Nathan repete que não quer matar ninguém, não quer ser mau, mas logo após aparece cometendo atos de crueldade, ele demonstra um prazer imenso que no mínimo me fez pensar que ele era bipolar. A escrita rápida aí pode se tornar um problema, pois faz as cenas que poderiam ser usadas para um aprofundamento do mesmo se tornarem simples pontes para a próxima cena, quase que imemoráveis.

Tal pressa da autora se mostra em momentos que deixam a leitura a desejar, criando falhas e buracos na história - coisas como personagens que não tiram o ar de "figurantes", palavras repetidas na escrita e, em casos particulares, palavras estrangeiras que surgem sem nenhuma explicação de seu significado para o leitor. Sem contar que existe muito o uso de repetições ao longo da história, coisas que o personagem diz sobre si mesmo, sentimentos iguais, o que soa forçado - a autora não soube mostrar ao leitor essas características de forma sutil; ela simplesmente jogou tudo na minha cara, esfregou mesmo.

O que mais estranhei, porém, foi o fato de que o livro começa com o protagonista sendo uma criança de nove anos de idade e progride até ele completar dezessete. A narrativa rápida (e alternada) faz com que ele praticamente não mostre nenhuma evolução. Nathan cresce fisicamente, e mostra isso (várias vezes, por sinal) para o leitor, mas sua mentalidade praticamente não muda. Além disso, existem cenas que surgem no livro sem razão nenhuma, ou então, de forma tão abrupta que deixa um buraco enorme na história - algo que poderia ser melhorado significamente.

A história segue sem rumo, e aí está o maior erro da autora: o livro não possui um arco fechado. Tive a sensação de que lemos Half Bad pela metade, ou então que perdemos o objetivo do personagem em meio ao ritmo exageradamente apressado. Quando achei que Nathan estava seguindo um rumo, o roteiro simplesmente deu uma virada ABSURDA sem razão nenhuma e tirou totalmente a trilha do livro.

O clímax do livro ficou muito água-com-açúcar, ao meu ver. Repetitivo e sem objetivo, simplesmente um amontoado de cenas sem sentido e que me fizeram pensar "wtf" várias vezes. O final não me deixou com muitas expectativas a respeito do segundo livro, que está sendo escrito.

Como diz o título, achei o livro "meio ruim". Confesso que o trailerbook me animou mais:
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