Resenha: Saga de Bravos - Patrícia de Luna

By | segunda-feira, dezembro 01, 2014 Leave a Comment
Um romance histórico que atravessa continentes e desafia os limites do tempo

Há alguns posts atrás, tive a deliciosa experiência de entrevistar a Patrícia de Luna, autora do romance histórico Saga de Bravos. Com a vivacidade na fala de quem tem muita história para contar, ela delineou para a gente a sua trajetória ao construir essa obra, uma épica aventura repleta de misticismo, romance e viagens (físicas e temporais!).  E como já era esperado, o Trinta aqui não pode deixar de trazer uma resenha quentinha para quem tá curioso em saber como foi a nossa passagem pelos 32 caminhos e 50 portas de Saga de Bravos. Pode deixar que eu não me perdi nesse labirinto!

Como de costume, vamos ao básico da trama: Ariadne é uma cantora de Trance Opera (uma mistura de música eletrônica e canto lírico) que conhece em uma festa um misterioso e belo rapaz chamado Simão. Apesar das investidas avassaladoras de Simão a assustar, Ariadne também sente uma atração poderosa por ele. Por isso, ela acaba se deixando levar em uma viagem repentina e impulsiva deixada as mãos daquele estranho, que a apresenta a lugares inimagináveis em países distintos. Porém, Ariadne logo descobre que ela e Simão tem uma história muita maior do que ela imagina; um amor que consegue superar as inexplicáveis linhas do tempo. E é nas páginas de um antigo livro que Simão entrega a Ariadne que ela poderá entender porque esse sentimento forte existe entre os dois... Esse livro, queridos, se chama Saga de Bravos.

Patrícia de Luna, a autora.
À primeira vista parece uma sinopse simples, mas vocês não tem noção do quanto foi difícil resumir toda a história do livro em um parágrafo. Digo isso porque a obra, na verdade, tem uma narrativa que se passa em diferentes épocas, narradas por diferentes personagens (em suma, Simão e Ariadne) para ilustrar todos os acontecimentos que fizeram com que Simão perseguisse o amor de sua vida desde os tempos de Jesus Cristo até o presente. Não quero caminhar muito por essa linha da narrativa pela possibilidade de isso ser um spoiler, mas digamos que sim, Ariadne e Simão já haviam se encontrado antes, e para isso, a autora consegue reconstruir com um detalhamento louvável os diversos momentos históricos em que Simão conseguiu reencontrar sua amada. O cuidado da autora em evocar uma determinada época histórica em cada um dos capítulos de flashback é ótimo, suscitando desde os trajes usados na época até os conflitos entre nações (em destaque as guerras em Jerusalém e toda a construção cultural em torno do ano de Cristo). Para quem possui uma curiosidade aguçada quando o assunto é história e lendas mundiais, Saga de Bravos com certeza tem os seus floreios.

No entanto, o mesmo aspecto descritivo da trama acabou reforçando um dos pontos que mais me incomodou na obra: o excesso de informação. Muitas vezes, senti que a linha principal da história perdia o foco devido as inúmeras inserções da autora em relação ao contexto histórico, deixando a narrativa arrastada e, às vezes, até difícil de entender. Era a importância histórica de um monumento específico que ficava em uma praça ou a forma como véu de determinada personagem secundária refletia na forma como os outros a tratavam... Enfim, descrições bonitas às vezes, mas que, infelizmente, deixavam os parágrafos obtusos e  com pouca coerência. As mudanças de narradores nos capítulos e até a passagem de tempo na trama também complicaram esse problema; não era incomum você se perder na linha do tempo no passar dos capítulos e eu, muitas vezes, tive que voltar para um determinado capítulo porque eu não lembrava o que estava acontecendo antes do "capítulo em flashback" que acabara de ler.

Capa do Livro.

Por outro lado, mesmo com seus pontos negativos, Saga de Bravos guarda algumas surpresas (surpresas essas que me pegaram, honestamente, despreparado em minha leitura). Para começar, o livro consegue tratar de temáticas muito delicadas (como a história de Jesus Cristo, por exemplo) e ainda assim, ter a ousadia de humanizar seus personagens, dando-o motivações e desejos bem mais fortes do que eu esperaria de um livro com esse assunto. Gostei muito da representação da infância de Jesus na história e, mesmo com toda a adoração que as pessoas já tinham por ele, o personagem em si esbanjava um carisma humano, inteligente e palpável. (Spoiler: A reencarnação de Ariadne como Morgana também teve o seu brilho, sendo uma interpretação interessante da lendária personagem. )

Uma surpresa bônus que tive também se refere ao próprio relacionamento dos personagens principais: As cenas de sexo de Saga de Bravos conseguem "quebrar a mesmice" e, mesmo que tenham uma forçação de barra aqui e ali, fazem você sentir a paixão existente no triângulo amoroso Simão x Ariadne x Hebrom. Você acredita no desejo dos personagens e isso, para começo de conversa, é muuuuita coisa! Claro que, de longe, o sentimento de Simão por Ariadne é o mais bem explicado no livro, mas isso não impede de nos conectarmos também com o personagem Hebrom. Cuddles to that!

Talvez Saga de Bravos não seja um livro para todos, mas eu acredito que ele possui sim o seu potencial. Recomendaria essa leitura especificamente para aqueles que possuem uma inclinação esotérica ou para aqueles que tem um apreço por ficção histórica. Para esses, eu também indico o livro Veronica Decide Morrer, que eu também resenhei aqui no Escolhendo Livros (e adorei, por sinal). No fundo, no fundo, é tudo uma questão de dar uma chance: Se nunca provou o prato, pelo menos dê uma colherada.
                                                                                                                 
Postagem mais recente Postagem mais antiga Página inicial

0 comentários: