Resenha: Perdido em Marte - Andy Weir

By | sexta-feira, julho 03, 2015 Leave a Comment
A solitária luta pela sobrevivência em um território além da nossa imaginação

Não sei se já falei disso aqui, mas sou um nerd fanzoca de qualquer material que fale de futuro e, principalmente, de espaço. Qualquer coisa, desde viagens espaciais primárias, rumo ao desconhecido, a colonização de galáxias ou estudo de meteoros feitos de adamantium que vão colidir com a Terra no ano de 3568. Só detesto quando o assunto é ET olhudo. Fora isso, vale tudo (a não ser que você seja seguidor da Lei de Gil).

Agora que você já sabe disso, venho humildemente dizer que (momento tiete) ESSE LIVRO É UM DOS MELHORES LIVROS DE FICÇÃO CIENTÍFICA QUE JÁ LI!(fim do momento tiete).Mas calma, meninas, vou explicar (de forma imparcial, que fique bem claro) porque acredito que Andy Weir acertou em cheio ao largar um coitado sozinho no planeta vermelho (cara sem coração).

Para aqueles que até hoje tentam decorar a ordem do sistema solar pedindo pão pra velha mesmo sabendo que Plutão virou um pum, Perdido em Marte (The Martian, no título original) foi escrito por um programador (sim, programador) chamado Andy Weir e lançado originalmente em 2011, nos EUA, como um e-book na Amazon, e custava mais ou menos US$1,00. O tempo passou, o livro vendeu, a história foi ficando famosa e os direitos foram finalmente comprados por uma editora e o livro saiu "oficialmente" ano passado.

Nele, o astronauta, botânico e faz-tudo Mark Watney e sua equipe fazem uma viagem para Marte como parte das missões Ares, da NASA, para aprenderem mais sobre o planeta vermelho (o de sempre, nada de especial). Mas, como merd%@ acontecem, uma tempestade de areia forte demais encurtou a visita e, de quebra, levou nosso amigo botânico de brinde. Como a equipe não conseguiu encontrar Mark em lugar nenhum e a tempestade só piorava, tiveram que dá-lo como morto e sair correndo de lá. E aí, começa um dos melhores quase monólogos-pipoca que já li.

Um ótimo lugar pra quem vai a praia e não entra na água.

Tá, não vou dizer que o livro é um clássico instantâneo, é pipoca. Mas não é um pipocão qualquer, é gourmet o negócio. O livro é quase todo contado em um diário de missão que o astronauta grava todo dia (na verdade todo sol marciano) uma nova entrada, contando o que aconteceu com ele naquele dia, com a esperança de que alguém consiga, em algum momento no futuro, encontrar aquilo em uma nova missão e tirar algo de útil das experiências de Mark em Marte (Mark, Marte, hummmmmm...).

Ao mesmo tempo, coisas vão acontecendo na Terra, mais precisamente dentro da NASA, principalmente depois que a mídia descobre da "morte" do astronauta, deixando a agência no meio de um furacão de opiniões estranhas.

E é basicamente essa a estrutura. Temos monólogos de um cara largado sozinho num planeta sem ninguém e cheio de pedra e areia pra todo lado e politicagem (fraca, esperava mais) na agência de troços espaciais norte-americana. É, eu sei, parece boring. mas acredite, não é.

É, vai ter filme, mas pelo menos com dinheiro suficiente pra não precisar apelar pro Mark Wahlberg (risos)

Quem não gosta de ciência e coisas científicas talvez ache esse livro boring mesmo, mas quem curte vai ficar extasiado ao ver como os detalhes técnicos apresentados são tão... detalhados. Desde os procedimentos realizados por Mark para manter a atmosfera estável dentro de sua base inflável até coisas mais simples como tornar a terra estéril de Marte em algo utilizável (sim, se você é nerd, isso é simples, depois de explicado, claro), tudo é mostrado com detalhes, cada movimento, e o mais impressionante: não é chato. Como você fica empolgado querendo saber como ele vai superar cada uma das dificuldades que vão aparecendo e como o livro afunda o pé na "realidade" (considerando que temos apenas teorias sobre como muitas coisas acontecem fora da Terra), ele te dá a certeza que tudo que ele faz e inventa é real, possível, e você compra a ideia.

Mas como nem tudo são doces, vamos colocar um pouco de areia no bolo. Tirando pelo personagem principal e uns dois na Terra, o restante dos personagens, que são muitos, é bem genérico. O livro é tenta ser tão realista que o autor acabou criando praticamente só gente comum. Astronautas, mas comuns. Demais. Confesso que simpatizei com todos eles, mas nenhum brilhou em momento algum (um deles, que achei que era uma mulher durona, descobri no final que era um homem). Ou seja, quando acabei o livro não senti saudade de ninguém, apenas de Mark. E como. Se você, como eu, mergulhar de cabeça no livro, talvez sinta o mesmo aperto no coração em diversos momentos (que não posso falar aqui, senão ia estragar tudo).

E posso dizer que foi Mark que me manteve até o final e não a história, que não passa na verdade de uma montagem com vários problemas o tempo todo para serem resolvidos, lembrando aqueles desenhos dos anos 80, onde os capítulos de bastavam sozinhos e não tinham uma linha temporal coesa. Sim, existe uma linha temporal no livro mas, no geral, ela é formada por uma colagem de situações problema. E por ter sido estruturado dessa forma, o ritmo ficou meio embaralhado. Nós temos a mania feia de comparar coisas de acordo com nossas experiências e classificá-las. Quando você vê o cara passando por um perrengue no primeiro terço do livro, você espera que lá pelo meio ele passe por algo pior e assim vai, só piorando. Mas eu achei que, no final, tudo que foi feito meio que foi esquecido. O que tinha pra resolver nem de longe era desafiador perto do que ele já tinha passado (só pra constar até o personagem diz isso).

Mas isso não estraga a experiência de forma alguma e, mesmo com o ritmo no estilo montanha-russa e história rasa, para mim, esse livro ganhou um espacinho no meu coração.

Mark Watney é legal, mas Marvin  é eterno <3

O BOM:
  • Detalhes, muitos detalhes, e todos apresentados de forma interessante, ajudando a história a ir para frente.
  • O personagem principal é tão gostável que você sofre junto até pelas coisas mais idiotas.
  • Por ser bem pé-no-chão, é difícil não aceitar que tudo que é mostrado seja possível.
O RUIM:
  • O ritmo do livro é descompassado e as situações problemas são desproporcionais e mal distribuídas.
  • A parte terrena do livro é rasa e sem desafios imprevisíveis ou mesmo interessantes.
  • Os personagens são muito comuns, com exceção do principal e mais uns 2.
Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião nos comentários.

P.S.: Eu sei que o livro tem mais do que falei aqui, mas fiquei com pena de entregar alguma coisa.


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