Resenha: Razão e Sentimento - Jane Austen

By | sábado, agosto 15, 2015 Leave a Comment
A balança entre a prudência e a sensibilidade em um clássico da literatura inglesa

Poucos autores conseguem ser relembrados com tanta frequência na cultura popular como Jane Austen. Seja em suas obras, adaptações para o cinema, teatro ou televisão, a autora ainda mantém uma fantástica relevância na contemporaneidade. No entanto, enquanto vejo muitos atribuírem os louros ao seu famoso livro Orgulho e Preconceito (o do filme com a Keira Knightley de 2005, lembra?), acredito que foi logo em seu romance de estreia Razão e Sentimento (Ou Razão e Sensibilidade dependendo da edição) que Austen surpreendeu a todos com a sua carismática ousadia em criticar a frivolidade da sociedade do séc. XIX com uma boa dose de humor negro. Mas não vou fazer pose de falsiane culta não; Razão e Sensibilidade é um romance de época de-li-ci-o-sa-men-te fofo e divertido.

Em Razão e Sentimento, conhecemos a Sra, Dashwood, uma recém-viúva que se vê em uma complicada situação financeira após a morte do marido. Uma vez que a propriedade da família ficara para o seu meio-irmão,  a Sra. Dashwood é obrigada a procurar uma nova moradia para ela e suas filhas, Elinor, Marianne e Margaret. Sua grande esperança, como uma típica mãe do séc.XIX, está no na possibilidade de conseguir um rico e frutífero casamento para Elinor e Marianne, as mais velhas dentre as filhas. Porém, ambas as jovens possuem suas próprias complicações amorosas. Enquanto Elinor, uma garota racional, paciente e sensata, se apaixona por um homem que não pode se casar com ela, Marianne, uma jovem passional, sensível e virtuosa, se apaixona por um homem de caráter questionável. 
É difícil não ler Razão e Sentimento sem escolher um lado dentre as duas irmãs. Como Elinor e Marianne são claras representações dos perfis que as caracterizam, nós, como leitores, nos vemos em uma luta interna por nos identificar com suas personalidades e, inúmeras vezes, sentirmos durante a leitura uma "vergonhinha tímida" ao enxergar que provavelmente cometeríamos os mesmos erros de cada uma. Dando como exemplo a minha pessoa, uma típica Elinor, admito que a resignação do amor por alguém inalcançável é algo bem compreensível (quantas vezes já não o fiz!), e quando lia o desejo reprimido de Elinor por Edward, via ali a perfeita caracterízação feita por Jane Austen de uma personalidade tão condizente a nós, seres humanos. Como somos conformados com os nossos limites...

Talvez o que mais me faça gostar de Razão e Sentimento esteja no passo da narrativa. Este é um equilíbrio perfeito entre a dinamicidade de "ter sempre algo novo acontecendo a cada capítulo" e a calmaria de "leitura de domingo". Muitos falariam que o peso dessa balança cai mais para o segundo citado, mas na minha opinião, para quem procura um romance de época bem requintado, a obra consegue não cair no marasmo (que já vi acontecer em muitas outras obras do gênero). 

Além disso, a edição a qual li da L&PM Pocket não apenas traz a facilidade de diminuir o livrinho para que caiba na nossa bolsa (eu, particularmente, AMO ler clássicos no formato pocket) como também possui uma apresentação do Rodrigo Breunig bem informativa, falando um pouco sobre a vida da autora, a cronologia de suas obras e as mudanças feitas em Razão e Sentimento em sua primeira e segunda edição. Como material extra é bem interessante!

Não vou mentir, no entanto, quanto ao nível da leitura, que exige, no mínimo, uma certa familiaridade com o rebuscado vocabulário antigo. Como esse não é o meu primeiro clássico, isso não me foi um problema, mas consigo imaginar alguns leitores de primeira viagem terem uma certa preguiça ao ver aquele bando de oração na forma passiva cheia de termos antiquados aqui e ali. Claro que para quem gosta é um charme e apenas enriquece a leitura, mas para quem tem mais dificuldade, recomendaria ler primeiro Orgulho e Preconceito, que é um livro mais amigável para os iniciantes ao Austianismo. <3 

Ah! Um ponto extra: Depois de ler o livro, não deixa de procurar pelo filme de 1995 com a Kate Winslet e a Emma Thompson. É incrível! Eu ainda não vi, mas já ouvi maravilhas também sobre a série adaptada da BBC de 2008.

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