Resenha: A Guerra dos Consoles - Blake J. Harris

By | quinta-feira, fevereiro 04, 2016 Leave a Comment
Pular como o Mario ou correr como o Sonic? A Guerra dos Consoles que nunca será esquecida

De um lado, um encanador bigodudo que dominava o universo gamer desde os anos 80. Do outro, um ouriço azul meio espevitado que corria como um louco para conseguir o seu lugar ao sol. A luta entre a Nintendo e a Sega foi sangrenta, controversa e, para quem gosta de uma boa treta, incrivelmente empolgante. Como uma criança nascida nos anos 90, vi em A Guerra dos Consoles inúmeras explicações para a intensa comparação entre Mario e Sonic e o porquê de, como uma pequeno amante de videogame em ascensão, ser impossível não escolher um lado.

A Guerra dos Consoles reconta os eventos que permearam a rixa Nintendo e Sega através da perspectiva de Tom Kalinske, um grande executivo recém-saído da Mattel (apenas a empresa responsável pela Barbie e quinhentas mil brinquedos famosos do mundo. Apenas.) que foi convidado para comandar a Sega americana. Sua convocação tinha um objetivo quase impossível: quebrar de vez a hegemonia da Nintendo no mercado dos games eletrônicos. Kalinske sabia que a luta seria complicada - Estamos falando de uma empresa repleta de títulos lendários como Super Mario Bros, Legend of Zelda e Donkey Kong - mas o desafio parecia excitante demais para ser ignorado. De repente, nos vemos dentro de uma história cheia de altos e baixos das duas empresas, conhecendo como a Sega tentou puxar o tapete da Nintendo para fazer Sonic ser um ícone pop tão grande quanto o famoso Mario.

Para quem gosta de videogames e, principalmente, para os que tiveram os consoles da década de 90, o livro é uma fonte rica de curiosidades e fatos históricos sobre a criação do SNES, Genesis, Mega Drive, o nascimento da Nintendo e da Sega, o processo de criação do Sonic e muitos outros acontecimentos que embasaram a luta entre as duas empresas japonesas. Ouso dizer que até a visão geral do cenário da época narrada pelo autor é bem construído: conhecemos a entrada da Sony no mercado de videogames (para quem não sabe, a empresa dona da marca Playstation), a queda do Atari, a criação da Konami, o estouro dos fliperamas e muitos outros detalhes que atiçam nossa curiosidade sobre como realmente se formou o mundo dos videogames da atualidade. E mais interessante do que isso é ver que o autor optou por uma narrativa ficcional ao invés de apenas fazer um almanaque, o que deixa o livro muito mais imersivo e gostoso para os leitores que talvez não tenham tanto interesse no assunto.

Porém, o fato de A Guerra dos Consoles ser uma ficção possui um problema que me incomodou durante boa parte da leitura: a parcialidade. Muitos eventos do que teoricamente "aconteceu" foram baseados em conversas e relatos de funcionários e personalidades que se envolveram nesse embate, esses, em sua maioria, integrantes ou simpatizantes da Sega. O livro em si é uma narrativa na perspectiva dessa empresa e sua tentativa "heroica" de conseguir desestruturar as medidas protecionistas da Nintendo, a qual possuía, em sua visão, um"egocentrismo mercadológico" em relação as outras desenvolvedoras de hardware e software. Claro que o livro não faz colocações sem fundamentos: Toda a narrativa é muito bem embasada com dados, críticas e estatísticas referentes as duas empresas e não há ponto dado sem nó. Mas a verdade é que o livro não é nem um pouco discreto na hora de vilanizar a Big N e não há como não se perguntar se não era melhor ter conseguido também  uma versão da Nintendo sobre o que rolou na época sob o seu ponto de vista.

No mais, o livro realmente aqueceu o meu espírito gamer e me levou para uma época em que, infelizmente, eu era pequeninho demais para entender o quanto as donas do Mario e do Sonic não estavam de brincadeira. O livro também vem com uma pequena seção de fotos da época e um prefácio do Seth Green e Evan Goldberg completamente desnecessário... (mas bem, talvez seja só porque eu não suporto ambos. Poxa, não poderiam ter pego um prefácio com algum analista ou crítico que fizesse uma breve análise mais relevante sobre essa guerra?) Mas tudo bem, né? Isso é o de menos. Ainda assim, A Guerra dos Consoles é uma viagem no tempo digna de uma leitura.

P.S: Vale dizer que hoje, Mario e Sonic são muito amigos. Sonic participa de inúmeros jogos do Mario graças a parceria entre Sega e Nintendo. Eita ironia do destino!

Clique na imagem para ver a cronologia disponibilizada pela Intrínseca.
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