Resenha: Will & Will, Um Nome, Um Destino - John Green e David Levithan

By | terça-feira, maio 31, 2016 1 comment
Will & Will, um nome brega e a Maravilhosa Sanfona de Emoções
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 Long time no see. Resolvi tirar um período sabático dos livros (mais ou menos, nesses 8 meses, li... 2 livros, além do que vamos falar aqui) e fazer outras coisas que supus que seriam mais interessantes que ler, nas quais talvez fosse me enxergar, me sentir representado, mas, no fim das contas, não foram tão legais assim. Então, cá estou eu novamente, lendo. E nenhum livro melhor (que eu tenha lido, pelo menos) que mais represente essa característica tão humana que é a INDECISÃO.

E não estou falando apenas de indecisão sobre o que você vai fazer no fim de semana, jogar tênis de mesa ou abraçar um peixe-boi (cá pra nós, a melhor opção). Estou falando também de se mostrar indeciso quanto a aceitar sua sexualidade ou mesmo quem você é. Coisas que as pessoas acham que é bobagem, mas sempre existe aquele momento da sua vida que você secretamente (ou não) se questiona: "E agora, José?" e não sabe mais quem é e pra onde está levando sua existência. E se você acha que esse tipo de temática é a sua carinha (ou você está passando por um momento de transformação ou está buscando isso), talvez Will & Will seja pra você, mesmo ele tratando do tema de uma maneira muito mais fofa e adorável do que tentando se aprofundar (para isso que existe o Pequeno Príncipe *POLÊMICO*).

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Abraçar um peixe-boi é sempre a melhor opção! Principalmente o deus peixe-boi da foto acima.

Para quem ficou perdido dentro da sua própria bolha de isolamento emocional e não sabe, John Green é esse rapaz aí que, com seus 38 anos está "na crista da onda" com quase todos os seus livros adaptados (ou adaptando) para o cinema, como A Culpa é das Estrelas, Cidades de Papel e, nesse ano, Quem é você, Alasca?, e muitos fãs cheios de amor pra dar (não é uma J.K.Rowling que adaptam até tweet, mas vá lá...). E tem esse segundo moço do qual nunca li nada mas lerei, David Levithan, um escritor de livros para um público jovem adulto e editor com uma carreira até longa e conhecido por construir excelentes personagens gays.

Mas Nikos, você leu o livro por que? Por ser fã, por gostar da temática indecisão...? Você gostou do nome super-brega, é isso (porque parece que a melhor adaptação POSSÍVEL do nome original, Will Grayson, Will Grayson era "Um nome, Um destino"...)?

Gente, eu li esse livro de nome estupidamente antiquado porque AMO romances gay! É um fraco que tenho e é onde me identifico mais (depois de videogame). E é nesse momento, quando você, amante de romances gay, vai ler esse livro, que começa a Maravilhosa Sanfona de Emoções. Por que? Porque esses dois escritores aí em cima não ligam para sua saúde mental.

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Ain...
   Não quero dizer com isso que o livro é ruim, por favor não me bata. Só que ele mente pra você. A começar pela capa, o início do relacionamento leitor-livro. Eu não posso nem chamar o que vou falar agora de spoiler quando as sinopses dos sites de livraria estão chutando isso na sua cara, então lá vai: um dos Will NÃO é gay!

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Ok, isso pode parecer idiota, mas em tempos onde os livros ficam nas prateleiras da livraria embalados em plástico transparente e você não pode ler a orelha pra saber a sinopse, você compra a capa. E a capa vendia um romance entre duas pessoas com o mesmo nome. Mas enfim, sigamos.

Apesar desse choque inicial, me agradou muito como os personagens principais, os Wills, são apresentados, a lá Game of Thrones, com capítulos intercalados desenvolvento a história através do olhar de cada um deles, primeiro um (todo certinho, polido e do lar), depois o outro (todo descacetado, sem letras maiúsculas e vocabulário bem mais chulo). E eles são bem legais e beeeeeem diferentes. Apesar de ambos meio que tentarem se isolar da sociedade, seus motivos são estupidamente distintos. Enquanto um não possui qualquer traquejo social e chega até mesmo a criar regras para si mesmo de como se portar em determinadas situações, o outro não consegue acreditar em si mesmo como ser humano merecedor de atenção.

Porém, apesar dos personagens principais serem bem desenvolvidos e terem momentos únicos e estupidamente engraçados, a estrela do show só consegue seu espaço ao sol lá pelo final. Sim, estou falando do coadjuvante. Aquele ser que normalmente fica de lado e que, quando se torna mais legal que os principais e você quer saber mais dele, o escritor vira pra você e diz: não (apesar que já tem o spin-off dele, lançado no fim do ano passado). Tiny, que é um apelido interessante (pequeno) considerando que o rapaz é imenso, de acordo com as descrições (repetitivas...), é o amigo gay do Will hétero e o motor por trás da história toda. Porém é desenvolvido de uma forma meio rasa, apesar de continuar divertido. Houveram momentos que desejei que o livro fosse um "Preciosa", só que feliz, de tão interessante que o personagem era.

E esse foi o maior problema do livro pra mim. Ele brinca com minhas emoções e nem sempre pelo lado bom. Ele não sabe quando dar atenção correta para os personagens coadjuvantes e quanto de página eles podem ocupar sem prejudicar os principais e isso incomoda muito. Eu cheguei no fim e já tinha pensado que o livro deveria ter outro nome. A história também não ajuda quando muda de rumo umas três vezes até achar pra onde quer ir. Não é tão chato quanto parece, mas é perceptível.

Mas assim, por mais que tenha esse pontos negativos, ele é um livro leve, que pode fazer você chorar em vários momentos bem emocionantes e muito bem construídos e certamente fará você rir em outros extremamente engraçados.

E é a prova que DEFINITIVAMENTE não se deve comprar o livro pela capa.

Opa, blog errado :

O BOM:
  • Texto leve mesmo nos momentos onde a trama fica mais pesada.
  • Divisão de capítulos intercalados, um pra cada Will, bem legal com detalhes de massa de texto distintos para cada um.
  • O melhor coadjuvante de TODOS os tempos.
  • Fofura e choradeira do início ao fim.
O RUIM:
  • O melhor COADJUVANTE de todos os tempos.
  • O MELHOR COADJUVANTE DE TODOS os tempos sendo chamado de gordo de tantas formas diferentes e tantas vezes que dá uma irritadinha.
  • História abraçou tanto o tema que às vezes não sabe pra onde ir e qual seu propósito.
  • Personagens principais se apagam um pouco perto do final.
  • Capa não vende o livro corretamente (não é possível que eu tenha sido o único enganado).


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Um comentário: