Resenha: Depois de Você - Jojo Moyes

By | segunda-feira, agosto 01, 2016 Leave a Comment
Uma segunda chance no amor. Uma segunda chance na vida. Reencontre Lou em Depois de Você


Quando terminei de ler Depois de Você, vi nos agradecimentos da autora Jojo Moyes uma coisa que me deixou com a pulga atrás da orelha. Ela menciona que esta sequência do best-selller Como Eu Era Antes De Você provavelmente só saiu do papel devido aos inúmeros fãs que iam na página do facebook/twitter dela pedindo para que contasse o que aconteceu com Louisa após o fim do primeiro livro. Isso, para mim, explica muita coisa sobre o que você, leitor ou leitora, vai ver na resenha de hoje. Depois de Você continua uma história que, na minha humilde opinião, não precisava de continuação. Afinal, para quem leu a minha resenha do primeiro livro, eu o considerei como uma história redonda. Mas seria isso necessariamente um ponto de partida negativo para a obra? Segura aí que tem muito mais nessa história antes de chegar nesse ponto.

Vamos primeiro à trama principal: 18 meses depois da morte de Will, Louisa se vê completamente perdida. Em primeiro lugar, ela mora em um bom apartamento (comprado pelo dinheiro que ele a deixou), mas o qual simplesmente não consegue chamar de lar. O clima com sua família não está dos melhores e todos parecem estar pisando em cacos de vidro. As lembranças de Will assombram sua cabeça todos os dias, e ele provavelmente não gostaria de saber que tudo que faz agora é trabalhar num barzinho de aeroporto brega e sem futuro. Mas quando uma pessoa bate na sua porta com uma revelação inesperada, a vida de Louisa é virada novamente de cabeça para baixo. Seria essa a chance de Lou reencontrar uma razão para viver?

A dor de Louisa no primeiro terço do livro é palpável, e para mim, isso é já é um grande mérito. A autora, sem abusar de saída melodramáticas, parece saber muito bem delinear as pequenas dores do dia-a-dia para quem perdeu alguém: Ir para lugares em que esteve ali com a pessoa; ouvir a sua voz em cada uma das ações que faz como se ela tivesse virado uma presença onipresente e onisciente em sua vida; evitar as coisas que remetem de alguma forma ao ente querido e todos esses pequenos detalhes que fazem a superação ser um processo árduo e exaustivo. Mas talvez o que mais tenha soado positivo nisso é o fato que a protagonista não caiu naquele estado depressivo clichê no qual a personagem ficaria trancafiada em casa vendo reprises de Bridget Jones com um potão de sorvete de flocos. Louisa escolheu continuar a sua vida (miseravelmente, mas ainda assim tomou essa decisão), seguindo o que Will a pedira no final do primeiro livro.

Ela trabalha. Ela fala com a família. Ela fez algumas viagens e até chega a ir num encontro para pessoas que perderam alguém sem fazer draminha. Mas o que realmente mostra o peso em sua vida é a apatia da rotina. Isto é muito mais realista do que alguém se remoendo em casa como se o tempo tivesse parado. Existem contas para pagar e louças que ainda se acumulam na pia. E é se levantar para seguir com a vida que mostra realmente como é difícil aguentar uma perda. 

O grande ponto de virada para que Louisa comece a seguir a sua jornada de superação está na personagem de Lily, que bem, queria não falar nenhuma spoiler, mas acho que esse é pequeno e necessário: Ela é a filha bastarda de Will com uma garota dos tempos da faculdade. Esta grande revelação colocará tudo sob uma nova perspectiva não apenas na vida de Lou como no passado que ela viveu com Will. A personagem se vê obrigada a enfrentar a ideia dessa nova pessoa em sua vida e toda a bagagem que ela carrega, e não vou dizer que o relacionamento das duas não tenha seus momentos de ouro. Mas é aqui que o livro mostra o que, para mim, foi o seu maior problema.

Talvez por Como Eu Era Antes de Você ser um romance simples focado na relação de Louisa e Will, a autora percebeu que a dinâmica do segundo livro seria consideravelmente diferente já que, bem, um dos personagens principais morreu. Só que a questão é que Depois de Você não parece saber muito bem qual caminho seguir, e o pecado aqui, para mim, está no seu excesso de subtramas. Em primeiro lugar, temos a história de superação de Lou, o que pra mim, é o ponto-chave da trama. Aí aparece Lily e você até pensa que a história dela é apenas um complemento necessário para que Lou siga em frente... E de certa forma isso é uma pequena verdade, mas sinceramente Lily se torna um elemento tão presente na história que acaba tirando os holofotes de Louisa em partes nas quais a protagonista deveria brilhar.  E quando você soma ainda o surgimento do novo par romântico Sam (que diga-se de passagem, é fofo e tem os seus bons momento na trama), o problema entre os pais de Lou (também interessante, mas subaproveitado), o chefe chato Richard (zzzz) e a dinâmica do grupo de apoio (um tanto genérica e forçada para o meu gosto),  Depois de Você fica ainda mais cheio de subplots que escondem um pouquinho o que eu realmente queria ver em Lou: O renascimento de sua vontade de viver. E esse, voltando para o que coloquei no começo do postagem, é o motivo pelo qual me pergunto se essa continuação realmente precisava existir.

Reforço aqui que o livro não deixou de contar essa história. Não é difícil entender que, de alguma forma, todos essas tramas secundárias foram criados por Jojo Moyes para que convergissem, de alguma forma, em Louisa Clark. Sem contar que no fim você realmente sente que Lou conseguiu superar a presença inebriante de Will em sua vida. Mas talvez houvesse uma forma menos... Confusa dessa trama acontecer. E quando vejo como alguma dessas subtramas foram desenvolvidas, como por exemplo, o relacionamento de Sam e Lou (achei, sinceramente, um desperdício o fim proporcionado pela autora), fico ainda mais chateado com o saldo final de Depois de Você.

Independente dos pontos que me incomodaram, ainda sim acredito que o romance consiga ser uma leitura prazerosa para os fãs que tanto esperavam por essa sequência. Talvez seja um livro abaixo das expectativas? Sim. Mas o jeitinho acalentador de Jojo Moyes contar uma história ainda está ali e isso, por si só, já é uma qualidade. E a pergunta que não quer calar é... Será que teremos uma adaptação para os cinemas? Eu não duvido, mas fico me questionando se seria realmente necessária. De qualquer forma, não deixem de comentarem quais são as suas expectativas para caso isso aconteça aqui, viu?


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