Resenha: Belgravia - Jullian Fellowes

By | sexta-feira, outubro 21, 2016 Leave a Comment
Uma clássica história de amor recheada de tiradas sarcásticas e maldades requintadas do séc. XIX














Romances históricos sempre tiveram um espaço considerável no meu coração. E quando esse romance inclui segredos ardilosos, escândalos sociais e tiradas sarcásticas sobre a sociedade de uma determinada época, minha curiosidade é imediatamente atiçada. Belgravia, livro do autor Julian Fellowes (criador da série queridinha da TV britânica Downton Abbey), é o típico livro que quando você começa a ler, sabe exatamente aonde está se metendo. E isso não significa, necessariamente, que a trama não tenha suas surpresinhas.

Apesar da história começar confusa devido ao grande número de personagens na história (similaridade também vista em Downton Abbey), a trama pode ser resumida em um embate entre duas famílias: Os Trenchard e os Brockenhurst

Mulher de um comerciante bem-sucedido, Anne Trenchard vive com seu marido há vinte cinco anos sofrendo pela perda de sua bela filha Sophia. No entanto, a morte de Sophia está longe de ser a única coisa que a aflige: a família Trenchard guarda um segredo a sete chaves daquela época - Sophia havia engravidado de Edmund Brockenhurst pouco antes dele morrer na Batalha de Waterloo. O filho, por ter sido gerado fora de um casamento, seria um escândalo para a família Trenchard. Por isso, decidiram deixar a criança aos cuidados de um clérigo, desvinculando seu nome do recém-nascido e impedindo que aquele terrível evento manchasse o nome de Sophia. Anne, no entanto, se arrepende todos os dias dessa decisão e quando vê Lady Caroline Brockenhurst, mãe de Edmundo, compadecida por Edmund não ter deixado nenhum herdeiro para família, Anne decide contar-lhe sobre o neto bastardo. Mal sabe ela que esse ato culminará no começo de uma grande trama cheia de mentiras, reviravoltas e intrigas sociais.

Acho que não é preciso dizer que Belgravia tem o maior clima de novelão de época da Globo, não é mesmo? É só ler o parágrafo de cima que dá pra visualizar uma novela das seis fácil, fácil. O romance realmente tem uma vibe folhetinesca, mas daqueles bem deliciosos que te prendem a cada capítulo com pequenas reviravoltas aqui e ali que te deixam com um gostinho de quero mais. Os personagens são bem construídos, apesar de serem figuras já carimbadas de romances desse gênero, com excessão pontual de Anne. Esta, minha preferida de longe, destaca-se por ser completamente indiferente as vontades loucas do marido burguês de tentar ser aceito pela nobreza local, sendo uma imagem perfeita de uma "nova rica" esperta que está pouco ligando para o que as dondoquinhas da época pensam de sua família. Para quem já viu Titanic, Anne Trenchard seria uma boa amiga da Sra.Brown.


















Apesar de ser um livro focado no drama entre famílias, os amantes de histórias de amor também não vão ficar decepcionados. Belgravia possui várias tramas que discutem os relacionamentos da época, seja os de um casamento sem amor (Susan e Oliver), de um garanhão imprestável (John Bellasis) até um romance proibido (Charlie e Maria), todas elas entrelaçadas daquele jeitinho bem novelesco. Vale dizer que apesar de o livro não sair muito da fórmula no quesito romance entre personagens, ainda assim não deixa de ter suas cenas interessantes (principalmente envolvendo as tramóias de Susan).]

A principal recomendação a ser feita quanto a Belgravia é ter certeza de que esse gênero realmente é de seu gosto. É um livro, na minha opinião, de "nicho" e provavelmente cairá mais no gosto de fãs de romances históricos (fãs de Jane Austen principalmente) do que do típico leitor de romances mais contemporâneos. Na dúvida, acho interessante procurar pelo piloto de Downton Abbey e assisti-lo como um teste: Se gostar, pode ter certeza que Belgravia tem O MESMO clima e ritmo.

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